26.8 C
Belo Horizonte
InícioBrasil & MundoSobre respeitar e ser respeitado

Sobre respeitar e ser respeitado

Se tem uma coisa que a cultura brasileira incita é o desrespeito. Ainda mais nos atuais tempos bélicos, de estrondosos escândalos de corrupção e impostos incessantes, em um país dividido. Ainda mais nas redes sociais. Por outro lado, a censura estatal do Plano de Combate à Desinformação (PCD) do STF parece ter viés político e não a primazia de evitar o desrespeito. Mas não quero falar sobre censura – Deus me livre! É sobre desrespeito interpessoal, cotidiano e até cultural, como eu vinha falando.

Uma das principais “marcas de Caim” de muitos países de Terceiro Mundo como o Brasil é o desrespeito endêmico: todo mundo se mete em tudo, e, aqui, a coisa pública se confunde com o privado, como sublinhou Sérgio Buarque de Holanda lá em sua obra Raízes do Brasil. Mesmo assim, é da natureza humana, e não apenas do nosso país, desrespeitar e ser desrespeitado.

Desrespeito pode ferir, magoar, envergonhar e é injusto. Mais uma vez: é mais fácil desrespeitar alguém ou um grupo social, com preconceitos até criminosos, atrás das telas das redes sociais.

REAÇÕES INDIVIDUAIS

Desrespeito sempre incomoda, mas as reações são individuais: alguns são mais agressivos e intolerantes ante a falta de decoro, outros, menos. Há quem chore, há quem consiga fingir que não aconteceu nada, e há quem tente, mas chore ou sofra em segredo. Seja como for, nunca é fácil lidar com situações em que invadimos o território do outro e seus direitos: o desrespeito.

A Psicologia sabe que a forma como cada pessoa lida com situações emocionalmente difíceis define, majoritariamente, sua inteligência emocional. E é importante conquistar e manter a inteligência das nossas emoções, porque esse é o tipo de inteligência mais importante, mais decisivo, mais abrangente. Quer dizer: saber lidar com o desrespeito, ou não desrespeitar (não tanto assim) é inteligência emocional.

O SEGREDO

Para lidar com o desrespeito, o segredo é lidar com a raiva. Quer dizer, a raiva não nos pode dominar. Uma palavra ou uma atitude pode gerar perdas para uma vida inteira, ou por muito tempo.

Como, então, lidar com a raiva e “resistir” ao desrespeito alheio? E ao mesmo tempo ter a firmeza de não desrespeitar? Mais uma vez: inteligência emocional. Saber manejar as emoções, manter a cabeça no lugar. Sentir nem sempre podemos evitar, mas reagir, sim. E é a reação que conta mais em nossas relações interpessoais e em nossa saúde mental.

Segurar a raiva, até mesmo o ódio e o escárnio em momentos de conflito impacta diretamente em nossos relacionamentos, para além de nossa própria condição mental e até física. A autorregulação é essencial para manter laços saudáveis e proteger a autoestima.

Por outro lado, vamos nos lembrar de que o comportamento beligerante ou hostil de alguém contra nós, até diante de uma opinião, pode dizer mais sobre o outro. É um indicativo de que aquela pessoa enfrenta turbulências em sua vida pessoal, está estressada, frustrada ou mesmo com medo, e por isso acumula respostas grosseiras, atos impensados e rompimentos bruscos.

Não nos deixemos contaminar. Evitemos pessoas e lugares determinados para evitar o desrespeito e a raiva. Saibamos tomar a atitude de “nos levantarmos da mesa onde o respeito não é mais servido”, na medida do possível.

Sobre fardos emocionais que levam ao desrespeito e à raiva, é claro que precisamos pensar igualmente em nós: o que tem nos levado a “perder a cabeça”? Agir com aspereza, desproporcionalidade, desrespeito.

Saber “se manter de pé” ante o desrespeito e até o desprezo é uma forma incontestável de amor-próprio e de maturidade. Há de se ter alguma frieza “no meio dos incêndios” para viver minimamente em paz, ou para não viver em guerra constante com tudo.

SABER QUEM SOMOS E ESTABELECER LIMITES

É preciso estabelecer limites claros, no entanto. Certos tipos ou intensidades de desrespeito exigem, sim, reações. Não “na mesma moeda”, de preferência. Não cedamos às provocações, não deixemos que nos afete tanto, saibamos quem somos para que os outros não tenham que nos dizer – às vezes, rispidamente.

Nem sempre é possível, eu sei. Aguentar o tranco, não devolver o insulto, não ir para a briga. Mas toda rixa desnecessária deve ser “desnecessitada” por nós. Isso é sabedoria, é estoicismo, e, mais uma vez, inteligência emocional. Recentemente li um livro da antiga filosofia judaica, Cabala da inveja, que se debruça no evitar a desavença e controlar – não negar a si mesmo – a raiva.

Escolhamos nossas respostas com cuidado, e se devemos dar alguma, porque frequentemente não. Pensemos que não vale a pena guardar ressentimentos por pouca coisa ou por quem não é central em nossas vidas ou em nossa área profissional.  

Não é fácil, é claro que não é. Mas podemos tentar. Um dia de cada vez. Encontrar formas de “descarregar a raiva” ou mesmo de se distrair dela, nos lugares e pessoas em que ela costuma nos atacar.   

Novamente: não é fácil lidar com desrespeito, contra nós ou da nossa parte. Nós que o digamos, mulheres na TPM, na menopausa, na gravidez de uma avalanche de hormônios. Pessoas no trânsito caótico, em um trabalho exploratório, com um dos menores salários mínimos da América Latina. Soçobrando na situação econômica sufocante que vivemos no Brasil. No clima de guerras globais, e “enredados” por tantas fraquezas internas que todos nós temos – alguns só disfarçam melhor.

IMPOR RESPEITO

Disfarçar ou minorar a raiva é impor respeito. Respeito não é aos gritos e pontapés — não deveria ser assim.

O respeito emerge, sobretudo, com atitudes sábias. Inclusive a atitude de não ter nenhuma reação ante quem, desvairada e incoerentemente, nos desrespeitou e nos feriu. Eles estão feridos também, tenha certeza. Pessoas feridas ferem pessoas.

Respeitando, tornamo-nos respeitados por aqueles que sabem respeitar e merecem nosso respeito. Aprendemos a nos amar mais.

    
 
Leia mais: Sobre respeitar e ser respeitado

Acidente Assassinato Belo Horizonte Betim BR-040 BR-251 BR-262 BR-365 BR-381 Contagem Corpo de Bombeiros Crime Cruzeiro Divinópolis Governador Valadares Grande BH Ibirité Ipatinga Itabira João Monlevade Juiz de Fora Lula Minas Gerais Montes Claros Nova Lima Patos de Minas Polícia Civil Polícia Federal Polícia Militar Polícia Militar Rodoviária Polícia Rodoviária Federal Pouso Alegre Previsão do Tempo Ribeirão das Neves Sabará Samu Santa Luzia Sete Lagoas Triângulo Mineiro Tráfico Uberaba Uberlândia Vale do Rio Doce Vespasiano Zona da Mata mineira

RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui