O ano de 2025 já abriu a porta, sem muita cerimônia. Em seu pesado bojo, traz problemas e questões urgentes que vêm de 2024 e antes. Nesse contexto, o Brasil segue em crise, e enfrenta uma série de desafios que exigem a atenção prioritária de suas autoridades e da sociedade civil. Destes, destaco uma tríade de contratempos: a desigualdade social, a crise no sistema de saúde e a degradação ambiental. Cada um desses aspectos não apenas compromete o bem-estar da população em geral, mas coloca em alto risco o futuro do país, e mesmo nosso presente, tão atribulado e caótico dos pontos de vista econômico, social, moral e até democrático.
Desigualdade Social e Econômica
A desigualdade social no Brasil é histórica, como a maioria de nós sabemos. Tem se agravado, constituindo-se em um dos maiores entraves ao desenvolvimento pleno da nação. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil permanece entre os países mais desiguais do mundo, com um índice de Gini de 0,539 em 2020 (“0” representa igualdade total e ”1”, desigualdade máxima). Em resumo: mesmo após décadas de políticas públicas voltadas à redução da pobreza e da fome, como o Bolsa Família e o auxílio emergencial, as disparidades entre as classes sociais, as regiões e os grupos étnicos são aviltantes.
Neste cenário, é importante lembrar que a pandemia de Covid-19 agravou ainda mais a situação tétrica do Brasil, ampliando as desigualdades. Em especial, a dificuldade de acesso a educação de qualidade, serviços de saúde e a sombra assustadora do desemprego. Em 2023, o Brasil registrou 33,1 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza, o que representa cerca de 15% da população (dados do IBGE). E, em 2024, o número de pessoas em situação de rua aumentou 25%, o que é alarmante, conforme levantamento da UFMG.
Para piorar, o Real segue em queda-livre, a inflação é galopante e o governo não parece disposto a cortar seus próprios gastos para cobrir o rombo histórico trilionário: antes, prefere taxar a população e aumentar a taxa SELIC, elevando preços, inclusive da cesta básica, a patamares desesperadores. Enquanto isso, temos 40 ministérios e mais de 400 estatais, a grande maioria deficitária e antros de corrupção endêmica, além, é claro, das emendas sem transparência para negociar votos e cargos no Congresso Nacional: em 2024, foram quase 50 bilhões nessa “brincadeira” com o povo.
Crise no Sistema de Saúde
Outra mazela do Brasil em 2025 é a crise no sistema de saúde pública, em grande parte pela falta de investimentos, desvio de verbas e sobrecarga das unidades de atendimento. O Sistema Único de Saúde (SUS), um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, enfrenta uma série de dificuldades estruturais: falta de recursos financeiros, equipamentos e pessoal capacitado se destacam negativamente.
Ainda há escassez de médicos, médicos com preparo adequado e medicamentos, especialmente em áreas remotas. Falta infraestrutura em muitas regiões do país, como as mais pobres e isoladas, Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Ao mesmo tempo, a demanda nas cidades mais populosas e capitais é claramente muito superior à capacidade de atendimento na maioria dos lugares.
Embora a pandemia de Covid-19 tenha mostrado a importância do SUS, ao mesmo tempo evidenciou as fragilidades do sistema. O Brasil tem 2,1 médicos por mil habitantes, em média, enquanto países como a Alemanha possuem 4,3 médicos a cada mil pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em 2025, a demanda por serviços de saúde continuará crescendo, especialmente com o envelhecimento da população e a precariedade da atenção básica e dos serviços hospitalares. Para piorar: o governo cortou drasticamente verbas de Saúde em 2024, assim como em Educação, e há crise extrema da falta de vacinas para dengue (no ano passado, morreram mais pessoas pela doença que nos oito anos mais recentes) e Covid-19, dentre outras.
Degradação Ambiental e Mudanças Climáticas
Um gravíssimo desafio é o ambiental. Este que pode impactar a economia e a sociedade de maneira irreversível. Como “carro-chefe”, temos o superaquecimento global, que é o aumento da temperatura média da Terra, ocasionado principalmente pela poluição do ar e das águas, criando buracos na camada de ozônio e efeito estufa.
Ainda, o desmatamento e as queimadas no Cerrado e na Amazônia. O Pulmão do Mundo, por exemplo, alcançou em 2023 uma taxa alarmante de 11.568 km² de área desmatada, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Ao mesmo tempo, há o genocídio de índios, por subnutrição, doenças e até suicídio: o governo brasileiro parou de contabilizar os óbitos diante da alta, desde o início de 2024. Já no Cerrado, sofrem as populações ribeirinhas como os quilombolas, a rica fauna e flora morrem de sede e fome.
Lembrando que a destruição da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia, afeta a biodiversidade global e agrava as mudanças climáticas. Secas prolongadas, enchentes e diminuição das colheitas são alguns dos efeitos desse desequilíbrio ecológico.
Por fim, o Brasil tenta lidar com a poluição de rios e oceanos, o desperdício de recursos naturais e o crescente problema de resíduos urbanos. As políticas ambientais do país são insuficientes para conter tal degradação e agir em direção ao desenvolvimento sustentável. Não bastasse isso, a pressão internacional para que o Brasil assuma compromissos mais rígidos em relação à preservação ambiental deve aumentar, ao mesmo tempo em que o governo brasileiro vem, cada vez mais, cedendo áreas da Amazônia para extração de minérios por países como China e Rússia, enquanto o tráfico de minérios impera na floresta abandonada pelo poder público.
É, não está fácil. Governo, empresas, ONGs e sociedade terão de, em um esforço hercúleo e talvez, no momento, pouco promissor, encarar a realidade de frente. Crises econômicas, sociais, de saúde, educação e climáticas se assomam, tingindo de cinzas nossa terra verde e amarela. Enquanto isso, embates políticos recheados de ilegalidades, perseguições partidárias e discursos vazios parecem mais essenciais, mediante a ganância pelo poder e como cortina de fumaça para a degradação do Brasil.
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