O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou, neste sábado (5 de abril), uma série de ocupações de terras como parte das ações do “Abril Vermelho”, visando pressionar o governo federal a acelerar a reforma agrária no país. As mobilizações ocorreram nos estados de Minas Gerais e Pernambuco, envolvendo centenas de famílias sem-terra.
Ocupação em Frei Inocêncio, Minas Gerais
Em Minas Gerais, mais de 600 famílias do MST ocuparam uma área próxima à Fazenda Rancho Grande, localizada às margens da BR-116, no município de Frei Inocêncio, região do Vale do Rio Doce. A ação busca reivindicar a desapropriação da propriedade para fins de reforma agrária.
O Governo de Minas Gerais informou que a segurança da área ocupada é de responsabilidade do Governo Federal, por se tratar de uma “faixa de domínio” do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) acompanha a movimentação do grupo dentro de suas limitações, enquanto a Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acionada para lidar com a situação.
Ocupação em Goiana, Pernambuco
Simultaneamente, em Pernambuco, cerca de 800 famílias do MST ocuparam as terras da Usina Santa Teresa, localizada no município de Goiana, na Zona da Mata. De acordo com Jaime Amorim, coordenador do MST no estado, o local é historicamente marcado por conflitos agrários.
Contexto do Abril Vermelho
O “Abril Vermelho” é uma mobilização anual do MST que ocorre em referência ao massacre de Eldorado do Carajás, no Pará, em 17 de abril de 1996, quando 19 militantes do movimento foram mortos durante um confronto com a polícia. Neste ano, o lema adotado é “Ocupar para o Brasil alimentar”, com ações previstas nos 26 estados e no Distrito Federal, focando em terras propícias à produção de alimentos.
As manifestações refletem o descontentamento do MST com o andamento da reforma agrária no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o movimento, desde janeiro de 2023, cerca de 65 mil famílias cadastradas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aguardam assentamento. José Damasceno, da direção nacional do MST, afirmou que o progresso está muito aquém da demanda acumulada nos últimos dez anos.
Repercussão e posicionamentos
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), tem adotado uma postura crítica em relação às ocupações de terra. Recentemente, ele divulgou um vídeo utilizando um boné com a inscrição “Abril Verde”, em contraposição ao “Abril Vermelho” do MST, como parte de sua estratégia para se posicionar como opositor ao presidente Lula.
O MST, por sua vez, responsabiliza o governador por possíveis ações violentas contra as famílias que lutam pela terra, acusando-o de incitar o ódio e a violência no campo com declarações inflamadas.
As ocupações realizadas neste início de abril evidenciam a tensão existente entre o MST e as esferas governamentais, ressaltando a urgência de diálogo e ações concretas para atender às demandas por reforma agrária no país.
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