A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a desoneração da folha de pagamento foi recebida com críticas pelo Congresso Nacional. Parlamentares expressaram preocupação com a intervenção do Judiciário nessa questão, destacando que a medida enfraquece o Legislativo e gera instabilidade jurídica.
A ação foi iniciada pela Advocacia-Geral da União (AGU), órgão representante do governo federal na Justiça. Em seguida, o Senado solicitou a suspensão da decisão, argumentando que a desoneração não prejudica as contas públicas, especialmente diante do recorde de arrecadação federal nos primeiros meses de 2024, totalizando R$ 657 bilhões.
A deputada Any Ortiz (Cidadania-RS), relatora da proposta da desoneração da folha de pagamento na Câmara, criticou a abordagem do governo, sugerindo que a medida pode resultar em perda de empregos. Ela destacou a falta de sensibilidade política do governo, especialmente por judicializar o tema às vésperas do Dia do Trabalho, quando já havia um projeto em discussão no Congresso.
O deputado Alex Manente (Cidadania-SP), líder da bancada do partido na Câmara, enfatizou a importância da desoneração para impulsionar a geração de empregos e renda, considerando o momento de dificuldade na criação de novos postos de trabalho.
Joaquim Passarinho (PL-PA), presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, expressou preocupação com a instabilidade causada pela intervenção do Judiciário no Legislativo, afirmando que o Brasil não precisa de mais incertezas.
O senador Efraim Filho (União-PB) criticou a postura do governo, afirmando que a judicialização enfraquece a política e fortalece a instabilidade jurídica. Ele destacou que o Congresso já havia discutido amplamente o assunto e derrubado o veto presidencial relacionado à desoneração.
O episódio ressalta as tensões entre os poderes e a importância do Congresso Nacional como instância para decisões legislativas. A desoneração da folha de pagamento foi aprovada pelo Legislativo com ampla maioria, refletindo a vontade da maioria dos parlamentares e das entidades representativas dos setores beneficiados.




