O Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), registrou uma queda de 24,6% em dólares no acumulado do ano até esta sexta-feira, 6 de dezembro de 2024. Esse desempenho negativo é o pior desde 2015, quando o índice caiu 41,03%, durante a recessão econômica e a crise política do país.
A desvalorização foi intensificada pela valorização do dólar, que subiu 24,54% ao longo de 2024, passando de R$ 4,84 em dezembro de 2023 para R$ 6,03 no último fechamento. Com isso, o real se tornou uma das moedas mais desvalorizadas do mundo neste ano.
O cenário econômico brasileiro tem sido marcado por incertezas fiscais e pela trajetória ascendente da Selic, que deve atingir 13,25% ao ano em maio de 2025, segundo projeções do mercado. Esse cenário afasta investidores estrangeiros, que retiraram R$ 7,3 bilhões nos últimos três meses e acumulam saldo negativo de R$ 32,9 bilhões no ano.
Além disso, os juros futuros para 2027 chegaram a 14,7% ao ano, o que reflete o pessimismo em relação à economia no médio prazo. Empresas listadas no Ibovespa também enfrentam quedas expressivas:
- Azul (setor aéreo) lidera as perdas, com desvalorização de 76,2%;
- Cogna e Yduqs (educação) tiveram quedas de 70,3% e 67,3%, respectivamente.
Especialistas alertam que a confiança dos investidores precisa ser reconstruída com ações concretas e não apenas promessas. Segundo Rafael Furlanetti, da XP, o investidor estrangeiro encara o Brasil como um risco evidente de perda, enquanto empresários sofrem com a combinação de patrimônio em queda e juros elevados.




