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Líder do governo Lula envolvido em desvio de emenda?

"Farra das Emendas" pode gerar escândalo maior que os Anões do Orçamento

Áudios de WhatsApp obtidos pela Polícia Federal (PF) indicam um possível esquema de desvio de emendas parlamentares envolvendo o líder do governo Lula na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE). O caso envolve recursos destinados à saúde do município de Choró, no sertão cearense, e inclui conversas entre o prefeito eleito de Choró, Bebeto Queiroz (PSB), e o empresário Carlos Douglas Almeida Leandro. Bebeto Queiroz, que está foragido após ser acusado de compra de votos, teria discutido a destinação de parte da emenda destinada à saúde do município para outros fins, incluindo infraestrutura.

Em setembro de 2024, em um áudio, o empresário mencionou uma proposta para desviar a emenda de Guimarães, alegando que ela poderia ser direcionada ao “caixa”. Bebeto Queiroz, em outro áudio, confirma o desvio, mencionando que queria garantir o valor de 12% da emenda, aproximadamente R$ 180 mil, para uso pessoal.

Em junho de 2024, a Comissão de Saúde da Câmara aprovou uma emenda de R$ 1,5 milhão para o Fundo Municipal de Saúde de Choró, mas uma parte desse valor estaria sendo desviada, segundo os áudios. A assessoria de José Guimarães afirmou que desconhece a conversa sobre o desvio e não se manifestou sobre o assunto.

“Farra das Emendas” pode gerar escândalo maior que os Anões do Orçamento

As investigações sobre a falta de transparência no repasse de emendas parlamentares estão gerando apreensão no Congresso. Líderes partidários temem que as investigações alcancem partidos grandes e figuras de destaque, afetando as eleições para a presidência da Câmara e do Senado, previstas para fevereiro de 2025.

O valor anual pago em emendas ultrapassa R$ 50 bilhões, com repasses de R$ 60 milhões por deputado e R$ 90 milhões por senador. Em dezembro de 2024, o governo bloqueou R$ 4,2 bilhões devido à falta de transparência, e as investigações revelaram esquemas de fraude em licitações e pagamento de propinas em obras financiadas por emendas.

A situação remete ao escândalo dos “Anões do Orçamento”, que em 1993 expôs fraudes no orçamento da União envolvendo deputados do “baixo clero”. No entanto, a diferença no cenário atual é que os envolvidos são figuras de maior influência política e os valores envolvidos são significativamente maiores. A investigação segue avançando, e a preocupação é que o desgaste da imagem do Congresso seja grande.

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