A partir do dia 1º de agosto, centenas de pardais — os radares fixos que fiscalizam velocidade em rodovias federais — serão desligados em todo o país por falta de recursos. A informação foi revelada pelo colunista Jocimar Farina, do GZH, que teve acesso a um ofício interno do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) encaminhado à Fotosensores, empresa responsável pela manutenção e operação desses equipamentos no Rio Grande do Sul.
A decisão impacta diretamente a fiscalização em rodovias federais não concedidas à iniciativa privada, elevando o risco de aumento de acidentes graves e fatais nas estradas. Já as rodovias sob concessão, como trechos da BR-101, BR-386 e a Freeway, não serão afetadas, pois seus sistemas de fiscalização eletrônica são mantidos pelas empresas privadas.
Orçamento quase zerado
O corte de verba já vinha sendo sinalizado desde o ano passado. Para manter a operação dos pardais em 2025, o DNIT estimou a necessidade de R$ 364,1 milhões. No entanto, a Lei Orçamentária Anual (LOA) destinou apenas R$ 43,3 milhões, correspondendo a um corte drástico de 88%. Mesmo com recomposição parcial de verbas em discussões internas, os valores seguem muito abaixo do necessário para custear a fiscalização eletrônica em nível nacional.
Até o momento, o DNIT não apresentou nenhuma alternativa para evitar o desligamento dos aparelhos. Fontes do órgão, ouvidas reservadamente pela imprensa, admitem preocupação com o aumento do excesso de velocidade nas estradas e do número de acidentes.
Fiscalização eletrônica salva vidas
Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam que a fiscalização eletrônica é responsável por reduzir de 20% a 40% o número de acidentes com mortes ou lesões graves em rodovias monitoradas. Além disso, dados de 2023 mostram que o excesso de velocidade é um dos principais fatores associados aos acidentes fatais nas estradas brasileiras, ao lado de ultrapassagens perigosas e embriaguez ao volante.
Segundo a PRF, só em 2023 foram registrados mais de 5 mil óbitos em acidentes nas rodovias federais brasileiras. O desligamento de parte dos radares pode comprometer os esforços para reduzir esse número.
Impacto regional
No Rio Grande do Sul, há preocupação especial porque o estado historicamente figura entre os que possuem altos índices de acidentes rodoviários. Trechos como a BR-116, BR-290 (Freeway) e BR-386 acumulam alto fluxo de veículos, incluindo caminhões, e são pontos sensíveis para a fiscalização.
“Sem radar, a tendência é que motoristas abusem da velocidade, especialmente em trechos conhecidos por serem fiscalizados”, alerta um policial rodoviário federal ouvido pela reportagem, sob condição de anonimato.
Entidades como a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e a ONG Observatório Nacional de Segurança Viária já pediram providências ao governo federal para evitar o apagão da fiscalização eletrônica, mas até agora não houve anúncio de solução concreta.
A expectativa é que, caso o cenário não se reverta, milhares de quilômetros de rodovias federais fiquem sem monitoramento eletrônico a partir do próximo mês, aumentando o risco para motoristas, passageiros e pedestres.
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