Brasília, 1º de agosto de 2025 – Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de direcionar investigações com base ideológica, favorecendo processos contra figuras da direita enquanto ignorava tudo o que fosse ligado à esquerda.
Em entrevista ao programa Faroeste à Brasileira, Tagliaferro afirmou que as pessoas investigadas “nunca eram de esquerda”, e que o ministro era quem decidia o que seria considerado “desinformação” ou “fake news”, sem critérios técnicos objetivos. Ele ainda garantiu que muitos casos chegavam ao gabinete como “prévias condenações”, e que os relatórios eram elaborados com base em ordem de utilização de “criatividade” quando não se encontravam irregularidades — inclusive em investigação contra a Revista Oeste.
Tagliaferro, que trabalhou junto aos juízes Airton Vieira e Marco Antônio Vargas, declarou que colegas se sentiam intimidados, e que era difícil recusar ordens diretas do ministro:
“Era difícil dizer ‘não’ a Moraes estando perto dele” .
🌏 Contexto internacional e sanções
As denúncias ocorrem na esteira da aplicação da Lei Magnitsky pelos Estados Unidos contra o ministro, o que ampliou a repercussão internacional das acusações estritamente internas. Tagliaferro celebrou a sanção e afirmou estar preparando um dossiê com provas documentais e digitais — mantidas em segurança dentro e fora do País — que devem ser apresentados às autoridades estrangeiras assim que sua família estiver assegurada.
Ele disse ainda que pretende colaborar com investigações internacionais e manifestou preocupação com represálias do ministro:
“Ele pode até me atacar, mas contra fatos e provas não há argumento. O ministro sabe do que estou falando” .
📊 Avaliação e impactos
Tagliaferro foi exonerado em maio de 2023, após ser indiciado pela Polícia Federal por suposta violação de sigilo funcional em episódios relacionados ao vazamento de conversas internas do tribunal — denúncia que ele nega e atribui à tentativa de silenciar denúncias internas.
Ele afirma que sua atuação não questiona a soberania nacional, mas desafia o autoritarismo judicial e a pretensa omnilateralidade do Judiciário.
Se confirmadas, as acusações podem suscitar medidas de transparência, supervisão parlamentar sobre tribunais superiores, e até iniciativas legislativas — incluindo pedidos de impeachment ou reconhecimento judicial de abuso de autoridade.
As denúncias abrem debate sobre a atuação de tribunais superiores na esfera política e na definição subjetiva de conteúdo como “desinformação”. Tagliaferro afirma ter provas substanciais que devem se materializar em documentos — mas ainda não apresentadas publicamente.
Do lado jurídico, Moraes nega irregularidades, e não se pronunciou diretamente sobre as acusações. A pressão internacional pode gerar efeitos domésticos em termos de regulação, supervisão e transparência judicial.




