O senador Flávio Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (2) que enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo americano desista da proposta de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
A iniciativa ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendar a adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros, alegando práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos. A medida ainda está em fase de consulta pública e não entrou em vigor.
Carta cita dificuldades econômicas do Brasil
No documento, Flávio argumenta que a economia brasileira atravessa um período de dificuldades fiscais e econômicas e que uma nova sobretaxa teria impactos negativos sobre empresas, trabalhadores e consumidores. Segundo o senador, a medida causaria “sérios prejuízos ao povo brasileiro” e poderia agravar desafios já enfrentados pelo setor produtivo nacional.
O parlamentar afirmou que a carta formaliza um pedido que já havia feito pessoalmente durante encontros recentes com representantes do governo americano, incluindo o presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o próprio Marco Rubio.
Flávio diz que defendeu empresas brasileiras
Durante entrevistas concedidas em Minas Gerais, Flávio Bolsonaro afirmou ter solicitado diretamente às autoridades americanas que não penalizassem empresas brasileiras.
Segundo ele, o agronegócio nacional, a indústria e setores estratégicos da economia não deveriam ser afetados por disputas diplomáticas ou divergências políticas entre governos. O senador também destacou a importância de produtos brasileiros como o etanol e defendeu a manutenção das relações comerciais entre os dois países.
Debate ganha dimensão eleitoral
A proposta de tarifa dos Estados Unidos passou a integrar o debate político brasileiro e já provoca trocas de acusações entre governo e oposição.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm associado a crise comercial à aproximação da família Bolsonaro com o governo Trump. Já Flávio sustenta que a investigação comercial americana começou antes de suas recentes viagens aos Estados Unidos e atribui o desgaste diplomático à política externa do governo federal.
Possível acordo em 2027
Na carta, o senador também afirma que, caso seja eleito presidente da República em 2026, pretende buscar um amplo acordo de comércio e investimentos entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo Flávio, a proposta seria baseada em princípios de livre mercado, fortalecimento da cooperação econômica e ampliação das relações bilaterais entre os dois países.
Tarifa ainda depende de decisão final
A proposta de sobretaxa de 25% ainda passará por consultas e audiências públicas nos Estados Unidos antes de uma decisão definitiva.
Enquanto isso, o governo brasileiro continua negociando com autoridades americanas para tentar evitar a aplicação das medidas, que podem afetar setores da indústria e das exportações nacionais.
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