O número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu um novo recorde no terceiro trimestre de 2024, impulsionado principalmente por um aumento significativo em Minas Gerais. Segundo dados do Monitor RGF de Recuperação Judicial, da consultoria RGF & Associados, 433 empresas em todo o país receberam autorização para renegociar suas dívidas, mais que o triplo em relação ao trimestre anterior, quando foram registrados 141 pedidos. Ao final de setembro, um total de 4.408 companhias brasileiras estava em processo de reestruturação.
Especialistas atribuem o aumento à combinação de juros altos e outros fatores que têm impactado a saúde financeira das empresas, como inadimplência dos consumidores, efeitos das mudanças climáticas sobre a produção agrícola, depreciação cambial e desafios tecnológicos. Esse cenário tem sido especialmente prejudicial para companhias mais endividadas, que sofrem com o aumento dos custos de financiamento. Fábio Astrauskas, CEO da consultoria Siegen, compara o cenário atual com uma luta de boxe, onde o “fígado” das empresas, ou seja, seu capital de giro, é constantemente atingido pelo custo das dívidas elevadas. “Chega um momento em que toda a geração de caixa é consumida pela despesa financeira, e a empresa vai a nocaute”, explica.
Em 2024, o número de pedidos de recuperação judicial já subiu 73% em comparação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados da Serasa Experian. As projeções globais da Allianz Trade indicam que, até o final deste ano, cerca de 3,5 mil empresas brasileiras devem entrar em processo de recuperação judicial ou falência — um aumento de 33% em relação ao ano anterior. Para os próximos anos, a previsão é de que esse número continue elevado, com 3,4 mil casos em 2025 e 3,2 mil em 2026.
Maxime Lemerle, analista da Allianz Trade, aponta que a alta volatilidade de preços e a necessidade de ajustes estruturais devido à maior complexidade do comércio global e à transição para uma economia verde estão pressionando as empresas a se adaptarem rapidamente. Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, prevê que a elevação dos juros e da inadimplência também resultará em aumento nos spreads bancários, o que dificultará ainda mais o acesso ao crédito, especialmente para micro e pequenas empresas.
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