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Justiça pega pistoleiro de aluguel que matou “Zezinho do Ouro”, delator que abalou a polícia de SP

Leonardo Ferreira Silva, matador de aluguel, foi preso em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, sob a acusação de executar a tiros José Gonzaga Moreira, o “Zezinho do Ouro” — delator que, nos anos 1990, revelou um dos maiores esquemas de corrupção envolvendo policiais civis de São Paulo. O assassinato ocorreu em abril de 2024, na zona norte da capital paulista. Segundo a própria confissão do criminoso, ele recebeu R$ 50 mil pelo serviço.

A prisão foi resultado de um trabalho conjunto do Departamento de Homicídios da Polícia Civil de São Paulo com investigadores de Minas Gerais. Leonardo usava identidade falsa e vinha se escondendo desde o crime. A polícia agora apura quem foi o mandante do homicídio, considerado uma execução planejada e com motivação política ou de vingança.

Zezinho do Ouro, de 81 anos, foi o primeiro delator a denunciar o envolvimento de dezenas de policiais civis em desvios de cargas apreendidas e corrupção sistêmica dentro da corporação. As denúncias levaram ao afastamento de mais de 40 agentes, inclusive de alto escalão, e marcaram um divisor de águas na segurança pública paulista.

Nos últimos anos, Zezinho voltou ao noticiário por seu envolvimento em conflitos de terra e denúncias contra grileiros e políticos na Paraíba, por meio de um canal no YouTube chamado A Voz de Correntes. Dois dias antes de sua morte, ele publicou seu último vídeo, supostamente com novas denúncias.

O crime foi meticulosamente planejado. Usando o nome falso de “Jonatan”, Leonardo marcou um encontro com Zezinho no apartamento da vítima, alegando ter informações sobre um prefeito pernambucano. Após mais de uma hora de conversa, ao se despedirem, ele disparou seis vezes, atingindo Zezinho pelas costas — um dos tiros acertou a nuca.

A identificação do criminoso foi confirmada por câmeras de segurança, tatuagens no tórax e reconhecimento de testemunhas, incluindo o neto da vítima e funcionários do prédio. Leonardo também é investigado por outro assassinato ocorrido em Uberlândia em fevereiro deste ano, além de possuir antecedentes por roubo, tráfico e formação de quadrilha.

A delegada Nayara Nogami pediu a prisão preventiva de Leonardo, que agora será investigado por homicídio duplamente qualificado: por motivo torpe e por impossibilitar a defesa da vítima. A polícia segue em busca dos mandantes do crime, que pode ter sido encomendado como retaliação às atividades de Zezinho no passado e presente.

Leia mais: Justiça pega pistoleiro de aluguel que matou “Zezinho do Ouro”, delator que abalou a polícia de SP

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