A opinião de Lygia Maria na Folha de São Paulo aborda os riscos de o Estado censurar ou banir livros, uma prática que ela associa a regimes autoritários. A autora inicia citando uma passagem polêmica da Bíblia para questionar o limite das intervenções estatais: se o Estado decide censurar trechos preconceituosos de uma obra, qual seria a linha entre o que pode e o que não pode ser publicado?
Lygia se refere a uma recente decisão do ministro do STF, Flávio Dino, que proibiu quatro obras jurídicas da Universidade de Londrina que continham discursos ofensivos contra mulheres e homossexuais. Os livros tratavam a homossexualidade como “loucura psicológica” e defendiam a demissão de homossexuais, além de expressarem juízos de valor sobre a vida sexual de mulheres solteiras. O caso chegou ao STF após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) negar o pedido de banimento feito por estudantes e pelo Ministério Público.
Lygia critica a decisão de Dino, argumentando que, apesar do conteúdo condenável, o STF não deveria interferir no debate público. Ela menciona que ideias preconceituosas já são amplamente refutadas por leis e pesquisas acadêmicas e defende que, ao censurar esses livros, o Estado apenas traz notoriedade a obras obscuras.
A autora lembra que o desejo de censura não é exclusivo de uma orientação política. Como exemplo, cita o ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que tentou barrar uma história em quadrinhos com um beijo gay durante a Bienal do Livro. Segundo Lygia, quando o Estado se torna o árbitro do que pode ser publicado, há o risco de decisões influenciadas por diferentes visões de mundo.
A autora conclui seu ponto citando o filósofo John Stuart Mill: silenciar qualquer voz, por mais minoritária, é uma prática que limita a diversidade de ideias e o livre debate na sociedade.
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