O ex-deputado federal e pré-candidato ao Governo do Ceará, Capitão Wagner, fez duras críticas à situação da segurança pública no estado, em entrevista exclusiva ao programa comandado por Luiz Carlos Focca, na Rádio Metropolitana FM 90,5, de Aracaju. Em tom de alerta, ele descreveu um cenário de colapso da ordem pública em regiões dominadas pelo crime organizado, com destaque para o município de Maranguape, hoje entre as áreas mais violentas do Brasil.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Wagner mostra ruas desertas, comércios fechados e casas abandonadas por ordem de facções criminosas. Segundo o político, moradores têm sido expulsos de suas próprias residências — inclusive idosos. Um caso emblemático citado é o de uma senhora de 85 anos, obrigada a deixar a casa onde vivia há décadas após receber uma ameaça direta de criminosos, com apenas 24 horas para sair.
“Se não baixar o vidro do carro, leva bala”, relatou Wagner em um dos trechos, descrevendo o clima de terror e medo constante imposto aos moradores.
O ex-deputado acusa o governo estadual, comandado por Elmano de Freitas (PT), e o governo federal, representado por Lula e o ministro Camilo Santana (Educação) — ex-governador do Ceará — de negligenciarem o avanço das facções.
“Elmano, Camilo e Lula prometeram um Ceará três vezes mais forte. Mas veja quem é que está realmente três vezes mais forte”, ironizou o opositor.
A denúncia vem à tona em meio a novas revelações sobre relações políticas de lideranças criminosas no estado. Um líder do Comando Vermelho no Ceará, morto recentemente em confronto no Rio de Janeiro, teria participado de campanhas eleitorais locais em apoio ao atual governador e ao ministro Camilo Santana — informação que reforça suspeitas sobre a infiltração do crime organizado na política regional.
Reação no Rio de Janeiro e discurso sobre endurecimento das leis
No Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro (PL) se manifestou sobre o tema da segurança pública, defendendo mudanças na legislação penal para impedir brechas que beneficiem o crime organizado:
“Hoje, a lei pune com mais rigor um cidadão de bem que seja preso com um fuzil do que o integrante de uma facção criminosa flagrado com a mesma arma. Precisamos corrigir essas distorções para que a lei seja justa e eficaz no combate ao crime”, declarou.
As falas ocorreram em meio à repercussão de uma megaoperação no Complexo da Penha, uma das mais intensas já realizadas no estado, que resultou na morte de dezenas de criminosos e na apreensão de um vasto arsenal de guerra.
Manipulação de cenas e tentativa de forjar abusos
Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra traficantes fortemente armados momentos antes do início da operação. Após o confronto, surgiram suspeitas de manipulação de cenas por parte de moradores e comparsas do Comando Vermelho.
De acordo com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, há indícios de que corpos de criminosos mortos foram maquiados com ferimentos falsos a faca e roupas camufladas retiradas para simular abusos das forças de segurança — numa tentativa de criar uma falsa narrativa de violência policial.
Os confrontos ocorreram em uma área de mata conhecida como Vacaria, no alto da comunidade. Posteriormente, os corpos foram levados por moradores à Praça São Lucas, sob o pretexto de facilitar o reconhecimento por familiares — ação que gerou imagens amplamente divulgadas pela imprensa nacional e internacional.
As autoridades reforçam que o reconhecimento de vítimas deve ocorrer oficialmente no Instituto Médico Legal (IML) e que qualquer manipulação de cenas de crime configura obstrução da justiça.
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