Nesta quinta-feira (28), o dólar à vista superou a marca de R$ 6 pela primeira vez desde sua criação, em 1994, refletindo a reação negativa do mercado ao pacote fiscal anunciado pelo governo na noite anterior. Às 11h30, a moeda americana era negociada a R$ 5,9930 na venda, com pico de R$ 6,0004 durante a manhã. O contrato de dólar futuro na B3 também subia, sendo cotado a R$ 5,989.
Na quarta-feira (27), o dólar já havia registrado o maior fechamento nominal da história, alcançando R$ 5,9141, com alta de 1,80%. A escalada ocorreu diante da expectativa do mercado quanto ao pronunciamento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que confirmou a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais, além de apresentar um pacote de contenção de gastos.
Impacto do pacote fiscal
O conjunto de medidas inclui uma reforma do IR e cortes de gastos com impacto estimado em R$ 71,9 bilhões nos próximos dois anos. Apesar de prometer reduzir o déficit fiscal, as mudanças foram vistas como insuficientes para equilibrar as contas públicas de forma estrutural, gerando desconfiança entre investidores.
Analistas apontam que a reforma do IR, combinada com os cortes anunciados, pode dificultar a obtenção de receitas e comprometer o cumprimento das metas fiscais do novo arcabouço fiscal. A incerteza tem pressionado tanto a cotação do dólar quanto o mercado de ações.
O Ibovespa, principal índice da B3, também registrou queda significativa, refletindo o ambiente de apreensão quanto à saúde fiscal do país e ao impacto das medidas no crescimento econômico.
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