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Equatorial vence leilão da Copasa e assume participação estratégica de 30% na estatal mineira

Grupo investirá R$ 5,5 bilhões na companhia de saneamento; operação marca uma das maiores privatizações da história de Minas Gerais

A Equatorial Energia venceu o leilão realizado nesta quarta-feira (3) e adquiriu 30% das ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), tornando-se a principal investidora privada da empresa. A proposta apresentada pelo grupo foi de R$ 49,03 por ação, totalizando um investimento de aproximadamente R$ 5,5 bilhões.

O valor ofertado superou o preço mínimo estabelecido pelo Governo de Minas Gerais, fixado em R$ 47,23 por papel. Com o resultado, a Equatorial assume a posição de investidor de referência da companhia, embora não detenha participação majoritária nem controle direto da estatal.

A operação representa um passo decisivo no processo de privatização da Copasa, considerado um dos mais relevantes do setor de saneamento básico no Brasil nos últimos anos.

Equatorial pode ampliar participação para quase R$ 8 bilhões

Além da aquisição inicial de 30% das ações, a Equatorial informou ao mercado que possui interesse em participar da próxima etapa da oferta, que colocará à venda mais 15% do capital da companhia.

Caso a empresa amplie sua posição, o investimento total poderá alcançar R$ 7,94 bilhões.

A próxima fase da operação ocorrerá por meio do processo conhecido como “bookbuilding”, quando investidores institucionais e agentes do mercado indicam o volume de ações que desejam adquirir e o preço que estão dispostos a pagar.

A oferta ao mercado está prevista para começar nesta sexta-feira (5), com liquidação financeira programada para o dia 11 de junho.

Privatização ainda depende da precificação do mercado

Apesar de ter sido a única empresa a apresentar proposta válida na etapa destinada ao investidor estratégico, a Equatorial ainda não tem garantida sua posição definitiva na estrutura acionária da Copasa.

Isso porque o modelo de privatização prevê que, caso a etapa de bookbuilding resulte em um preço por ação superior ao ofertado pela companhia, os 45% das ações poderão ser distribuídos diretamente ao mercado.

Nesse cenário, a Copasa passaria a operar no modelo conhecido como corporation, sem um acionista controlador definido, com capital pulverizado entre diversos investidores.

Processo repete cenário observado na privatização da Sabesp

O resultado do leilão também chamou atenção por repetir um movimento semelhante ao ocorrido na privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Assim como aconteceu em São Paulo, a Equatorial foi a única empresa a apresentar proposta válida para se tornar investidora de referência da estatal mineira.

A Aegea, uma das maiores companhias privadas de saneamento do país, chegou a demonstrar interesse na operação e apresentou proposta preliminar em parceria com investidores como Itaúsa, Equipav e o fundo soberano de Singapura (GIC). No entanto, o grupo desistiu da disputa antes da etapa final.

Venda da Copasa busca reduzir dívida bilionária de Minas

O governo mineiro argumenta que a privatização da Copasa faz parte da estratégia de reestruturação fiscal do Estado.

A legislação aprovada pela Assembleia Legislativa prevê que parte significativa dos recursos arrecadados com a venda das ações seja utilizada para reduzir a dívida de Minas Gerais com a União, atualmente estimada em cerca de R$ 180 bilhões.

Outra parcela dos recursos deverá ser destinada a investimentos em infraestrutura, saneamento básico e desenvolvimento regional.

Belo Horizonte foi peça-chave para viabilizar o negócio

Um dos fatores que aumentaram a atratividade da Copasa para investidores foi a renovação do contrato de concessão dos serviços de água e esgoto com a Prefeitura de Belo Horizonte.

O novo acordo garante a permanência da companhia na capital mineira até 2073. Belo Horizonte responde por aproximadamente 40% da receita total da empresa, sendo considerada a principal operação da estatal.

A renovação do contrato foi vista pelo mercado como um elemento fundamental para aumentar a segurança jurídica e a previsibilidade financeira da companhia.

Especialistas acompanham impactos da privatização

A privatização da Copasa foi alvo de debates ao longo dos últimos meses. Entidades, especialistas e representantes do setor discutiram possíveis impactos sobre tarifas, investimentos, universalização do saneamento e qualidade dos serviços prestados à população.

A companhia, por sua vez, afirma que a operação não altera os contratos vigentes nem compromete a continuidade dos serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto nos municípios atendidos.

Segundo a empresa, os compromissos assumidos com consumidores, trabalhadores e prefeituras permanecem inalterados durante o processo de transição acionária.

Com atuação em centenas de municípios mineiros, a Copasa é uma das maiores empresas de saneamento do Brasil e desempenha papel estratégico na expansão do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário em Minas Gerais.

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