O dólar alcançou nesta terça-feira (17) a marca histórica de R$ 6,20 durante o dia, mas encerrou a sessão em R$ 6,095, após uma intervenção do Banco Central (BC), que realizou dois leilões extraordinários de câmbio. O BC vendeu um total de US$ 3,287 bilhões para tentar conter a valorização da moeda americana, que continuou em alta, encerrando o dia com um aumento de 0,07%.
Esse valor de fechamento, R$ 6,095, representa um recorde nominal (sem considerar a inflação), embora o valor real do dólar, corrigido pela inflação, tenha sido mais alto em setembro de 2002, quando o dólar chegou a R$ 8,75.
O mercado reagiu com incerteza após a divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que indicou a necessidade de medidas mais rápidas para combater a inflação de curto e médio prazo. No contexto, o BC elevou a taxa básica de juros (Selic) para 12,25% ao ano, com expectativa de novos aumentos para os próximos meses.
Além disso, o BC já injetou US$ 12,76 bilhões no mercado de câmbio desde quinta-feira (12), tentando amenizar a pressão sobre o real. A pressão sobre o câmbio também foi intensificada por um cenário fiscal incerto e a expectativa da votação de um pacote de contenção de gastos no Congresso Nacional.
Em relação à política interna, o governo enfrenta desafios, como a falta de articulação direta do presidente Lula, que está se recuperando de cirurgia, e a expectativa do mercado sobre o pacote fiscal. A falta de uma resposta clara sobre o ajuste fiscal tem gerado incerteza, resultando na alta contínua do dólar.
Especialistas apontam que as intervenções do BC são paliativas e não resolvem a questão central: a falta de confiança dos investidores na condução econômica do Brasil, exacerbada pela incerteza fiscal e pela resistência do governo em adotar medidas fiscais mais contundentes.
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