A resposta pública do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, à reportagem crítica da revista The Economist no último sábado (19) provocou desconforto dentro da própria Corte e reacendeu críticas da oposição no Congresso Nacional.
Segundo apuração da revista Oeste, Barroso não consultou todos os ministros antes de divulgar a nota em defesa do STF e em resposta à publicação britânica, que acusou o tribunal de exercer “poder excessivo” no Brasil. A matéria também afirmou que o ministro Alexandre de Moraes “divide opiniões” e destacou que, em nenhum outro país, um magistrado alcança tamanho protagonismo político.
No comunicado, Barroso rebateu os argumentos e negou que o Supremo tenha “derrotado Bolsonaro”, expressão atribuída a ele pela The Economist. No entanto, o vídeo de um evento anterior no Congresso da UNE circula amplamente nas redes sociais, mostrando Barroso afirmando: “Nós derrotamos o bolsonarismo”. A aparente contradição gerou uma onda de críticas entre parlamentares ligados à oposição.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou: “Barroso nega ter dito ‘derrotamos o bolsonarismo’. Em vídeo, Barroso desmente Barroso”. Marcel van Hattem (Novo-RS) compartilhou a gravação em inglês, questionando a credibilidade do ministro perante o público internacional.
Outros nomes, como Carlos Jordy (PL-RJ), Gil Diniz (PL-SP) e o economista Marcos Cintra (União Brasil-SP), acusaram Barroso de agir de forma política e criticaram o que consideram um ativismo judicial incompatível com o cargo.
Nos bastidores do STF, a decisão unilateral de Barroso em emitir a nota sem articulação interna foi vista com reservas. Integrantes da Corte relataram incômodo, ainda que em caráter reservado, diante da repercussão política gerada.
A resposta à The Economist, ao invés de conter a polêmica, parece ter ampliado o debate sobre os limites da atuação do Supremo e a exposição pública de seus membros. A controvérsia também se insere no contexto mais amplo das discussões sobre liberdade de expressão, judicialização da política e as futuras propostas de regulação das redes sociais.
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