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Câmara aprova suspensão de norma que restringia assistência religiosa em presídios

debate reacende polêmica sobre liberdade de expressão nas prisões

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou nesta semana o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 229/2024, que suspende os efeitos da Resolução nº 34/2024, editada pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), órgão ligado ao Ministério da Justiça. A medida, segundo os parlamentares, restringia o direito à assistência religiosa nas unidades prisionais brasileiras.

O que dizia a Resolução nº 34/2024

A norma, publicada em abril, estabelecia critérios mais rígidos para o credenciamento de líderes religiosos, exigindo, por exemplo, vínculo formal com instituições reconhecidas e limitando o acesso de servidores públicos que quisessem atuar como voluntários nas mesmas unidades em que trabalham.

Outro ponto polêmico foi a inclusão de um artigo que vedava expressamente o proselitismo religioso — ou seja, a tentativa de converter detentos a uma determinada fé durante a assistência espiritual.

Segundo o Ministério da Justiça, a intenção era garantir o caráter laico do Estado e preservar a diversidade religiosa dentro do sistema prisional. No entanto, a reação foi imediata entre representantes de denominações evangélicas, que acusaram o governo de cercear a liberdade religiosa.

Mobilização política e reação parlamentar

O autor do PDL, deputado Eli Borges (PL-TO), criticou duramente a resolução e afirmou que a norma “viola princípios constitucionais fundamentais” e prejudica um trabalho que há décadas é feito por capelães e líderes voluntários nas penitenciárias.

"A assistência religiosa é um direito humano, garantido pela Constituição. Não podemos aceitar barreiras ideológicas ou burocráticas que impeçam esse trabalho", disse Borges.

O relator da proposta na comissão, deputado Allan Garcês (PP-MA), reforçou a crítica:

"É uma medida restritiva de direitos, que contraria a própria Constituição Federal e impacta diretamente a liberdade religiosa dos detentos e dos agentes religiosos."

Durante a votação, o presidente da Comissão, deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), também se manifestou contra a resolução do MJ:

"Trata-se de uma interferência indevida do Estado na atuação das organizações religiosas. A medida prejudica não apenas os religiosos, mas também os presos que buscam apoio espiritual."

Bastidores da crise: de reuniões a convites ignorados

A polêmica ganhou força ainda em maio, quando o então presidente do CNPCP, Douglas Martins, foi convidado pela Comissão para prestar esclarecimentos na Câmara, mas não compareceu. Poucos dias antes, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, reuniu-se com a Frente Parlamentar Evangélica, prometendo avaliar sugestões para modificar a resolução — o que, segundo parlamentares, nunca aconteceu.

Além disso, o ex-conselheiro do CNPCP, que atuou no órgão até abril de 2024, relatou que o tema da resolução não foi debatido amplamente no plenário do Conselho enquanto ele estava no cargo. Segundo ele, a deliberação ocorreu apenas quatro dias após o fim de seu mandato.

Divergências de visão: liberdade de expressão ou proselitismo?

A decisão de suspender a resolução reacende o debate sobre o equilíbrio entre liberdade religiosa e a laicidade do Estado.

Grupos religiosos, principalmente os evangélicos, consideram que a medida era uma tentativa velada de restringir o trabalho missionário nas cadeias, algo que consideram fundamental para a ressocialização de presos.

Já defensores da resolução argumentam que o texto buscava apenas evitar a imposição de crenças e garantir que todas as denominações religiosas tivessem igual acesso às unidades prisionais.

Próximos passos

O PDL 229/2024 agora segue para análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovado, o texto poderá ir direto ao Plenário da Câmara. Caso obtenha maioria simples, a suspensão da Resolução nº 34/2024 terá efeito imediato.

A discussão promete mobilizar novamente as bancadas religiosas e de direitos humanos nas próximas semanas. O tema já é considerado um dos mais sensíveis no atual embate político sobre o papel da religião dentro de instituições públicas no Brasil.

Leia mais: Câmara aprova suspensão de norma que restringia assistência religiosa em presídios

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