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Escola é demolida no Pará para abrigar ONGs durante a COP30; pais protestam

A Escola Municipal Padre Ione, localizada no bairro do Una, em Belém (PA), foi completamente demolida pelo governo de Helder Barbalho (MDB) para dar lugar a alojamentos destinados a ONGs internacionais participantes da COP30, que ocorre em novembro de 2025. A ação provocou revolta entre mães, pais e educadores locais.

De acordo com denúncias compartilhadas em redes sociais, a demolição deixou centenas de crianças e adolescentes sem escola, desprovidas de estrutura adequada para continuar seus estudos. A Padre Ione era considerada referência no bairro, reconhecida por oferecer ensino de qualidade, segurança e proximidade das residências — fatores que facilitavam o cotidiano de diversas famílias.

👩‍👧‍👦 Clamor por educação local

Mães da comunidade relataram que o fechamento da escola representa um grave retrocesso no acesso à educação, em especial para crianças de famílias de baixa renda. “A escola ficava perto de casa, era segura. Agora os filhos estão sem aula e sem acesso a uma educação digna”, criticam representantes de pais.

Um dos principais argumentos dos críticos foi a comparação entre investimentos em infraestrutura para receber visitantes estrangeiros e o descaso com as necessidades da população paraense comum.

Governo investe em “maquiagem verde”

O governo estadual anunciou recentemente um pacote de investimentos de R$ 68 milhões em obras para a COP30, que inclui a reforma de 17 escolas para transformá-las em alojamentos no estilo hostel, com capacidade para cerca de 5 000 pessoas. A medida faz parte de esforços para expandir a capacidade de hospedagem de 18 000 leitos em Belém para cerca de 45 000 a 50 000.

Segundo o governador, a iniciativa representa uma estratégia para garantir infraestrutura durante o evento e, ao mesmo tempo, promover a “justiça climática” por meio de inclusão social.

Críticas e reações

Grupos de professores, pais e movimentos sociais alegam que a ação reforça a percepção de que a COP30 está sendo tratada como “maquiagem verde” — uma forma de impressão positiva voltada ao exterior, enquanto questões locais, como educação pública, são negligenciadas.

Mais: movimentos indígenas e educadores também têm protestado contra reformas que envolvem fechamento de escolas ou mudanças abruptas no sistema educacional no Pará, como o projeto que revogou o ensino presencial modular.

Segundo reportagem da Tapajós de Fato, essas alterações educacionais já provocaram bloqueios na BR-163 e manifestações em Belém.

Consequências para a comunidade

A demolição da Escola Padre Ione deixa centenas de alunos sem alternativa imediata de vagas em outras unidades escolares. A falta de estrutura e o deslocamento para bairros distantes implicam abandonos e retrocessos no aprendizado, além de impactos nas rotinas familiares.

Além disso, a mobilização de pais e professores `continua em busca de garantias educacionais e de diálogo com o governo para assegurar alternativas às crianças prejudicadas.

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