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Denúncias de compra de votos marcam eleição interna do PT no RJ; Quaquá nega irregularidades e fala em “choro de perdedor”


As eleições internas do Partido dos Trabalhadores (PT), realizadas no último domingo (6), foram marcadas por forte disputa política e acusações de irregularidades, especialmente no estado do Rio de Janeiro. A ala conhecida como Articulação de Esquerda denunciou supostos casos de compra de votos e uso da máquina pública para influenciar o resultado do Processo de Eleição Direta (PED), mecanismo por meio do qual filiados escolhem diretamente os dirigentes partidários.

Em entrevista à CNN Brasil, Olavo Brandão Carneiro, secretário de formação do PT fluminense e integrante da Articulação de Esquerda, afirmou ter “certeza” de que houve compra de votos e uso do poder econômico no PED no Rio de Janeiro. Ele apontou o município de Maricá como centro das irregularidades, atribuindo ao prefeito Washington Quaquá (PT) uma mobilização considerada “atípica”.

“Tenho certeza que houve compra de votos e uso do poder econômico no PED do Rio de Janeiro”, declarou Carneiro. Ele disse que pretende levar as denúncias formalmente ao diretório nacional do PT para apuração. Segundo o dirigente, vídeos e capturas de tela de conversas entre militantes estariam servindo como supostas provas do uso da máquina pública para transportar eleitores às urnas em Maricá, cidade administrada por Quaquá, que tem grande influência na política petista fluminense.

Em resposta às acusações, Quaquá, que também já presidiu o PT estadual, negou qualquer prática ilegal e classificou as denúncias como fruto de ressentimento político. “Isso é choro de quem não tem trabalho político”, rebateu o prefeito.

O PED no Rio de Janeiro é estratégico para o partido, sobretudo porque Diego Zeidan, atual secretário de Habitação da capital fluminense e filho de Quaquá, é apontado como favorito para assumir a presidência estadual da legenda. O comando do PT no estado é considerado crucial para a articulação política petista, especialmente às vésperas das eleições municipais de 2026.

Além do impasse no Rio, o PED também foi alvo de controvérsia em Minas Gerais. A deputada federal Dandara Tonantzin teve sua candidatura à presidência do PT mineiro indeferida por estar inadimplente com as contribuições partidárias obrigatórias. O caso acabou judicializado e provocou atraso na contagem nacional dos votos, podendo impactar a data de anúncio do novo presidente nacional do PT.

O PED é considerado uma das maiores experiências de democracia partidária do país, com votação realizada presencialmente e em cédulas de papel. Neste ano, além da disputa nacional, as eleições escolheram dirigentes estaduais e municipais do partido em todo o Brasil. O resultado oficial para a presidência nacional, para o qual o ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, desponta como favorito, ainda não foi divulgado.

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