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The Wall Street Journal denuncia falsificação de registro dos EUA usado na prisão de ex-assessor de Bolsonaro

O prestigiado jornal norte-americano The Wall Street Journal publicou neste domingo (27) um artigo contundente da colunista Mary Anastasia O’Grady, denunciando a utilização de um documento americano falsificado como base para a prisão de Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro.

🔍 O documento: entrada nos EUA que nunca existiu

O centro da controvérsia é o formulário I-94, usado pelas autoridades dos EUA para registrar a entrada legal de estrangeiros no país. Segundo a jornalista, o documento foi publicado no sistema da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) em Orlando em duas ocasiões diferentes desde 2024, mesmo com Martins provando que não viajou aos Estados Unidos no final de 2022 — conforme alegado pelas autoridades brasileiras.

“Algo parece estar podre no escritório da CBP em Orlando”, escreveu O’Grady, apontando que o mesmo registro apareceu, sumiu, e voltou a aparecer meses depois, mesmo após ser oficialmente removido pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS).

🛑 Prisão baseada em informação fraudulenta

A prisão preventiva de Martins foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na acusação de que ele teria saído clandestinamente do Brasil. A ausência de registros oficiais de saída do território nacional e a presença do I-94 falsificado nos bancos de dados americanos foram usados como justificativa para tratá-lo como risco de fuga.

Mesmo com a correção feita pelas autoridades dos EUA, Moraes manteve restrições severas contra Martins, que hoje está em liberdade monitorada por tornozeleira eletrônica, proibido de sair de sua cidade, falar com a imprensa ou usar redes sociais.

🧩 Suspeita de manipulação política

A colunista do Wall Street Journal aponta para uma possível motivação política por trás da falsificação. Segundo ela, não há razão aparente para as autoridades americanas criarem um registro falso, mas “alguém dentro da CBP, agindo em nome de interesses brasileiros contrários a Bolsonaro, teria motivação.”

O’Grady sugere que a detenção de Filipe Martins possa ter como objetivo pressioná-lo para uma delação premiada, semelhante ao que ocorreu com o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que chegou a afirmar em áudio vazado que foi coagido a colaborar.

⚖️ Justiça americana omite dados

A defesa de Martins, representada pela advogada Ana Bárbara Schaffert, entrou com uma ação nos EUA com base na Lei de Liberdade de Informação (FOIA) para descobrir quem criou o registro fraudulento. Os documentos foram liberados, mas com os nomes dos responsáveis ocultados, gerando novos questionamentos sobre um possível encobrimento oficial.

O artigo termina com uma pergunta retórica e provocadora da jornalista:
“O que é pior? O crime ou o encobrimento?”
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