26.4 C
Belo Horizonte
InícioCOLUNASEducação nunca foi importante no Brasil: por isso somos um país pobre...

Educação nunca foi importante no Brasil: por isso somos um país pobre e que vota mal   

Estou lendo “Um trem para a Suíça”. Obra de David Coimbra (sempre saudoso, que falta faz o David mais sagaz do planeta). Crônicas de viagem, cobrindo uma Olimpíada na China; e três Copas do Mundo no rastro da Seleção de R10 e R9, quando ainda a Seleção Brasileira nos encantava e tinha craques de verdade. David nos conta, entre uma aventura aqui e uma opinião polêmica ali, como a Educação é o fundamento irrevogável de países de Primeiro Mundo.

Educação que, no “Brasa”, convenientemente para muitos políticos, nunca foi essencial e muito menos urgente. Conveniente.

De “Um trem para a Suíça” — porque a Suíça e seus imponentes e adoráveis Alpes Suíços enlevaram David Coimbra, como a todos enlevam —  reproduzo David:

“Tanto na Suíça quanto na Alemanha, a maioria das escolas de primeiro e segundo graus são gratuitas. Escolas de qualidade superior, equipadas, limpas, com ginásios, campos de futebol e professores bem pagos. De graça. Ninguém paga nada. Nichts. Na Alemanha, o ensino é OBRIGATÓRIO. Todos os cidadãos são OBRIGADOS a ir à escola por pelo menos doze anos. O adolescente que, depois de nove anos de escola, não quiser mais frequentá-la, TEM que fazer um curso profissionalizante. Por que será que a Alemanha é tão desenvolvida?”

Alemanha, Suíça, Suécia, Áustria, Japão, Coreia do Sul, etc., e mesmo aqui na América, nas tundras gélidas do Canadá. E no país que hoje é do Trump, e é, há muitas décadas, gostem vocês ou não, a maior economia do mundo, a Educação é de ponta. Ali, no recôndito da Águia feroz, se investe em pessoas e no futuro da nação, um contraponto fulcral às empobrecidas e doloridas “veias abertas da América Latina”, dissecadas por Eduardo Galeano.

Os alemães (que vieram povoar o Brasil e, com tchecos e russos, fizeram um mix para me gerar), por exemplo, provocaram duas Guerras Mundiais, perderam ambas, mas poderiam ter vencido; viraram pó duas vezes, física e moralmente. Só que hoje a Alemanha, que preserva com esmero seus milhares de castelos e riquezas culturais e educacionais, é o maior PIB da Europa e um lugar de gente abastada e empreendedora. Por causa da Educação, majoritariamente. Os germânicos reconstruíram as gerações seguintes, as quais refizeram o país — depois dos tempos difíceis do Muro de Berlim e alguns anos além.

O BRASIL NUNCA QUIS ENTENDER A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO

Houve esforços monumentais na Educação no Brasil, como o MOBRAL, entre as décadas de 1960 a 1980. E houve incontáveis heróis e heroínas incólumes ou quase, como Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista brasileira, lá do século XVIII. Parda, a esmo na época da tardia abolição da escravatura na terra brasilis, lutou para ser professora, fundar escolas, ensinar a ler, escrever e se ser cidadão. Faleceu sozinha, miserável e esquecida, aos 100 anos de idade. Maria Firmina é um lembrete de como o Brasil, em geral, sempre tratou a Educação com desdém.

O Nobel. O Brasil nunca ganhou um prêmio Nobel. Em nenhuma categoria, nada. Merecíamos, eu acredito, e tenho até certeza, mas não houve estímulos, e, dizem, houve até sabotagem de invejosos, como nos casos do sanitarista Carlos Chagas e do físico César Lattes. A cientista Tatiana Coelho de Sampaio perdeu a patente da polilaminina, algo revolucionário, algo como o “levanta-te e anda” da Bíblia Sagrada, porque recupera movimentos de paraplégicos e tetraplégicos, regenera a vida — e as moléculas são em formato de cruz, o que é apenas mais um acaso para quem apenas acredita em acasos.

Pois Tatiana perdeu a patente de sua descoberta maravilhosa, ainda em evolução como toda a Ciência, porque não havia e não há dinheiro nas universidades federais. Há verbas para emendas secretas, fundão eleitoral, penduricalhos, para enviar às ditaduras de Venezuela e Cuba, para viagens intermináveis no avião presidencial bilionário, para um luxo só na maior e mais cara máquina política e judiciária do mundo. Mas não para a polilaminina, muito menos para a Educação Fundamental no Brasil “Brasa”.  

O Brasil até ganhou Oscar, mas nunca um Nobel. Prêmios Nobel vêm de Educação e da valorização do futuro de uma nação. Nós temos e tivemos tantos pináculos imortais na nossa cultura, e eles quase que unanimemente não têm nem e nunca tiveram o valor merecido. Nem em seu próprio ninho, onde canta o sabiá ainda, esbaforido e acinzentado, suas tristes e simplórias notas. Moribundas partituras, talvez esteja desaprendendo.

Esquece-se a Educação no Brasil — eu acho que de propósito. Um país sem boa Educação é um edifício erigido na areia.

O ORGULHO DE SER POBRE E DE NÃO TER CULTURA NO BRASIL: O ÓDIO AOS RICOS E “INTELIGENTINHOS”

Minha impressão é de que não ter cultura e educação no Brasil é quase louvável, é “olha só, resolvemos tudo do nosso jeitinho”. “Vamos rir da nossa própria desgraça”, tem muito isso no Brasil e dá ótimos, mas no fundo tristes memes. Por outro lado, sinalizar conhecimento por aqui chega a ser motivo de inveja, escárnio, afetação, desperdício, desprezo para muitos.

É verdade que se paga mal a maioria dos diplomados nas terras verdes e amarelas, mas isso é porque — mais uma vez — Educação não é prioridade; e é “mais fácil com o jeitinho”. Como está bom e fácil ser político no Brasil. Não precisa nem de Vestibular e entrevista de emprego (mas deveria precisar).

E assim seguimos votando em quem mal sabe falar (apenas frases-feitas), mal sabe ler, mal sabe matemática — exceto para contar dinheiro ilícito. Assim, milhares escolhem quem os representará só pelo discurso, a ideologia engessada, “é bom ser pobre e viver de migalhas assistenciais, estamos aqui para dá-las a vocês se votarem em nós”. Faremos as mesmas promessas, vocês acreditarão, o ciclo se repetirá, mesmo com alguma tímida revolta — que poderá ser punida como golpe.

Não, não precisa querer muito da vida — e acabam nem sabendo, ou querendo saber, o povo brasileiro simples e vítima de engodo, o quanto da vida podem requerer.

A maioria do povo brasileiro mal sabe o português. Não sabe interpretar um texto, mesmo com diploma, que não basta diploma, apenas diploma de qualidade. Não se investe muito em Educação, cortam verbas de aprendizado como mato no jardim, sem dó, no ancinho de aço do populismo barato e do comodismo vitimista. E vai o Brasil ocupando os últimos lugares em rankings globais de Educação, atrás de países africanos paupérrimos, praticamente tribais.

O fato é que sempre faltou Educação no Brasil. Convenientemente. É da nossa infeliz cultura. Os jesuítas forçaram os índios a se converterem, é verdade, porém fundaram as primeiras instituições de ensino na nossa pátria — foram expulsos pelo rei de Portugal e seus asseclas. Estamos estagnados desde as Ruínas de São Miguel. Carecemos de escolas, e escolas com mínima estrutura, professores, dinheiro para os professores, menos politicagem nos professores, mais combate a evasão escolar.

Principalmente, falta a muita gente a vontade e a esperança de estudar, estudar mais e melhor — hoje todos podem, a Educação é digital, globalizada, amplíssima e inclusiva.

A SABEDORIA E A EDUCAÇÃO DE MÃOS DADAS

Ainda repito: ostentar diplomas não é sinal de conhecimento ou mesmo civilidade, muito menos de sabedoria. A Sabedorua vem antes. Deve ser buscada como o ouro de Ofir, desde os tempos ancestrais se sabe disso — mas não no Brasil. É com sabedoria que se governa uma nação. E é, sem dúvidas, muito sábio investir em Educação, em fazer pessoas melhores, fazer países melhores, fazer História.

Muitos falam em “Brasa”. Vem aí a Copa. Não nos distraiamos tanto: creio que a Educação no Brasil vem se desfazendo em chamas. Chafurda em brasas, mesmo. Convenientemente, mais uma vez, para muitos, na política e no povo. Todo mundo no Brasil sabe que é mais fácil ser Virgínia e Oruam que PhD em qualquer coisa, com remunerações quase sempre insuficientes, como os recursos.

O crime da ignorância compensa no Brasil “Brasa”. Mas será sempre assim?

Leia mais: Educação nunca foi importante no Brasil: por isso somos um país pobre e que vota mal   

Acidente Assassinato Belo Horizonte Betim BR-040 BR-116 BR-251 BR-262 BR-365 BR-381 Contagem Corpo de Bombeiros Crime Cruzeiro Divinópolis Governador Valadares Grande BH Ibirité Ipatinga Itabira João Monlevade Juiz de Fora Lula Minas Gerais Montes Claros Nova Lima Patos de Minas Polícia Civil Polícia Federal Polícia Militar Polícia Militar Rodoviária Polícia Rodoviária Federal Previsão do Tempo Ribeirão das Neves Sabará Samu Santa Luzia Sete Lagoas Triângulo Mineiro Tráfico Uberaba Uberlândia Vale do Rio Doce Vespasiano Zona da Mata mineira

RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui