As empresas estatais federais encerraram o período de janeiro a agosto de 2025 com um déficit recorde de R$ 5,6 bilhões, segundo dados do relatório “Estatísticas Fiscais”, divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (30). Esse saldo negativo representa um aumento de 65,0% ante o mesmo intervalo de 2024, quando o rombo ficou em R$ 3,4 bilhões.
O indicador divulgado pelo BC é conhecido como “necessidade de financiamento” das estatais — ele mede até que ponto as empresas dependem de recursos adicionais (como apoio do Tesouro) para fechar suas contas.
O levantamento exclui estatais financeiras, como Banco do Brasil, Caixa e BNDES, bem como empresas como a Petrobras.
Quando todas as estatais (federais, estaduais e municipais) são consideradas, o déficit acumulado sobe a R$ 8,3 bilhões no período de janeiro a agosto.
Críticas ao método e defesa governamental
O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) critica a metodologia do BC, afirmando que os dados não refletem a real saúde financeira das estatais, porque desconsideram informações contábeis completas — receitas, custos, ativos, passivos e lucro líquido.
Contudo, a métrica do BC é considerada relevante para avaliar o impacto das estatais nas contas públicas e na política fiscal, dado que déficits exigem “financiamento” adicional do Tesouro ou outras medidas.
Quando o Tesouro complementa
Se uma estatal apresenta necessidade de financiamento, o Tesouro Nacional pode ser acionado para cobrir a lacuna, por meio de endividamento ou remanejamento de recursos, o que eleva a pressão sobre as finanças públicas.
De janeiro a julho de 2025, por exemplo, as estatais federais já acumulavam déficit de R$ 5,52 bilhões, para além do que havia sido registrado no mesmo período de 2024.
Panorama mais amplo
O rombo das estatais contrasta com momentos anteriores: no primeiro quadrimestre de 2025, o setor já havia registrado déficit de R$ 2,69 bilhões, também o maior para o período.
A despeito desses resultados negativos, algumas estatais continuam a registrar lucros contábeis, segundo o governo, reforçando o debate sobre como interpretar os números do BC frente aos balanços individuais das empresas públicas.
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