Os professores e trabalhadores da educação da rede municipal de Belo Horizonte decidiram manter a greve da categoria e marcaram uma vigília em frente à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), no Centro da capital, para esta quarta-feira (27).
A decisão foi tomada durante assembleia realizada na porta da prefeitura, na avenida Afonso Pena, que reuniu centenas de servidores da educação. O movimento ocorre em meio ao impasse entre o Sind-Rede BH e a administração do prefeito Álvaro Damião.
Após a votação pela continuidade da paralisação, manifestantes entoaram palavras de ordem contra a prefeitura. Imagens divulgadas pelo sindicato mostram grande concentração em frente ao prédio da PBH.
A próxima assembleia da categoria está marcada para quinta-feira (28), às 8h30, na Praça da Liberdade, na região Centro-Sul da capital.
Greve se aproxima de um mês
A paralisação dos professores da rede municipal de Belo Horizonte já dura quase um mês e segue sem acordo definitivo entre a categoria e a prefeitura.
Além da vigília programada para esta quarta-feira, os trabalhadores também anunciaram participação no ato unificado pelo fim da escala 6×1, previsto para acontecer às 17h na Praça Sete.
O sindicato afirma que a greve continua diante da manutenção do corte de ponto dos servidores e da falta de avanços concretos nas negociações sobre salários, carreira e condições de trabalho.
Categoria cobra reajuste e critica modelo com OSCs
Segundo o Sind-Rede BH, a pauta do movimento possui 78 reivindicações. Entre os principais pontos estão:
- pagamento integral do piso nacional da educação;
- reajuste salarial de 5,4% mais 15% retroativos a janeiro;
- transparência sobre vagas e lotações nas escolas;
- nomeação de concursados;
- revisão dos contratos com Organizações da Sociedade Civil (OSCs).
O principal foco de tensão envolve a atuação das OSCs no atendimento de alunos com deficiência.
O sindicato acusa a prefeitura de precarização pedagógica e cobra regras claras para contratação dos profissionais de apoio escolar, além de garantias de que trabalhadores ligados às entidades não assumirão funções pedagógicas.
A categoria também demonstra preocupação com mudanças na organização da educação infantil e possíveis impactos na jornada de trabalho dos docentes.
Prefeitura afirma que reivindicações prioritárias foram atendidas
A secretária municipal de Educação, Natalia Araújo, afirmou nesta semana que não existem mais motivos para a manutenção da greve.
Segundo a PBH, todas as sete reivindicações prioritárias apresentadas pela categoria foram atendidas após reuniões com representantes sindicais.
A administração municipal informou que o reajuste oferecido chega a 6,61%, considerando:
- 2,4% concedidos em fevereiro;
- 4,11% a partir de maio.
De acordo com a prefeitura, o índice supera o reajuste de 5,4% definido para o piso nacional do magistério em 2026.
Prefeitura nega privatização da educação
Outro ponto de divergência envolve o novo modelo de contratação para apoio à educação inclusiva.
Natalia Araújo negou que haja privatização da educação municipal e afirmou que os profissionais de apoio já atuavam de forma terceirizada anteriormente.
Segundo a prefeitura, os trabalhadores passarão a ser vinculados a 21 entidades especializadas em educação inclusiva, com promessa de melhores salários e qualificação.
Entre as medidas destacadas pela PBH estão:
- criação de comitê para acompanhar a transição dos terceirizados;
- proposta para impedir substituição de professores da educação infantil;
- avanço funcional para servidores com mestrado e doutorado;
- divulgação trimestral do quadro de vagas;
- debates sobre jornada extraclasse e contratação de profissionais especializados.
O sindicato, porém, rebate a versão da prefeitura e afirma que boa parte das medidas anunciadas ainda depende de implementação prática.
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