O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Minas Gerais enfrenta risco de paralisação devido à ausência de repasses federais e à baixa remuneração dos profissionais, denunciada durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada na manhã desta quinta-feira (14).
Salários baixos e defasagem de recursos
Muitos trabalhadores do SAMU recebem pouco mais de um salário mínimo, sem reposição salarial há anos. Representantes dos consórcios municipais informam que não houve aumento no repasse de verbas para os consórcios intermunicipais nos últimos três anos, o que sobrecarrega estados e prefeituras.
Segundo a categoria, o déficit acumulado chega a R$ 57 milhões, que precisa ser coberto pelos governos estadual e municipais.
A diretora do SindSaúde, Núbia Dias, alertou:
“Estamos lutando para que esse serviço móvel não precise parar em Minas Gerais. Um condutor recebe entre R$1,6 mil e R$1,7 mil para uma jornada exaustiva. O piso da enfermagem chega com até 3 meses de atraso. São profissionais altamente especializados e fundamentais para salvar vidas.”
Profissionais deixam o serviço
Edimar Abreu, condutor socorrista na Zona da Mata mineira, destacou a fuga de profissionais qualificados devido à baixa remuneração:
“Os melhores profissionais estão deixando esse trabalho. A retomada dos repasses é fundamental para manter a qualidade do serviço.”
Denis Arantes, Secretário Executivo do SAMU da macro região Sudeste, que representa 147 municípios e 2,5 milhões de habitantes, explicou o financiamento:
“O SAMU é custeado por governo federal (50%), estado (25%) e municípios (25%). Hoje, os estados e municípios pagam mais que sua parte, enquanto a União paga menos do que deveria. Estamos há três anos sem repasses do governo federal.”
Audiência pública e ausência do Ministério da Saúde
Convocada pelo deputado Doorgal Andrada (PRD), a audiência destacou a importância vital do SAMU:
“O atendimento é essencial, democrático, não excludente. Por trás da sirene, há homens e mulheres altamente preparados, treinados para agir em alta tensão e salvar vidas”, afirmou Andrada.
Apesar do convite, não houve presença de representantes do Ministério da Saúde, mas o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público de Contas acompanharam a sessão.
Reforço do Ministério da Saúde
Em nota, o Ministério da Saúde informou que ampliou em 42% os repasses para o SAMU em Minas Gerais desde 2023, de R$ 119,8 milhões para R$ 170 milhões. Entre janeiro e junho de 2025, já foram liberados R$ 82,3 milhões para custeio do serviço.
Além disso, o plano de expansão e renovação da frota entregou 207 novas ambulâncias desde 2023, totalizando 394 veículos em operação no estado, sendo 312 Unidades de Suporte Básico (USB) e 82 Unidades de Suporte Avançado (USA). Minas é o quarto estado que mais recebeu ambulâncias no período, atrás apenas de São Paulo, Paraná e Bahia.
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