Com uma média alarmante de 12 acidentes por dia em 2025, o Anel Rodoviário de Belo Horizonte mantém o título de via mais perigosa da capital mineira. Entre janeiro e abril deste ano, 1.473 acidentes foram registrados, segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG). O número representa um aumento de 11% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registrados 1.325 sinistros.
A via, com 26 km de extensão, é conhecida como “corredor da morte” por concentrar, desde 2014, o maior número de óbitos por acidentes em BH: 269 mortes em 10 anos. Só em 2024, foram 36 mortes, o maior índice da década. Em 2025, cinco pessoas já perderam a vida no trecho.
Esperança na mudança de gestão: PBH assume controle da via
Nesta terça-feira (3/6), será oficializada a municipalização do Anel Rodoviário, com a transferência da gestão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para a Prefeitura de Belo Horizonte. A cerimônia de assinatura contará com a presença do ministro dos Transportes, Renan Filho, e do prefeito Álvaro Damião (União Brasil).
Segundo a PBH, a municipalização viabilizará intervenções estruturais, incluindo:
- Construção de dois viadutos entre a BR-040 e a Via Expressa;
- Ampliação de faixas e melhorias na sinalização;
- R$ 63 milhões em recursos do PAC-3 para obras iniciais.
“Queremos diminuir os acidentes já a partir do próximo mês. Claro que não vamos zerar, mas vamos reduzir de forma significativa”, afirmou o prefeito Álvaro Damião.
Moradores e especialistas são céticos quanto a resultados rápidos
Apesar do otimismo da prefeitura, moradores e especialistas duvidam de uma mudança imediata. O motorista de caminhão-reboque Tânio Cristiano, que trabalha na região do viaduto São Francisco, descreve o Anel como “um caos que só piora” e denuncia o abandono da passarela local:
“As placas de concreto estão soltas. Ninguém usa a passarela com medo de ela desabar.”
O técnico de enfermagem Wanderley Mendes, morador da região, reforça a precariedade:
“Não tem acostamento, nem sinalização. Os ônibus nem conseguem parar. A mobilidade é muito difícil.”
A psicóloga Camila Dias defende a restrição de caminhões em horários de pico, mas não confia na municipalização:
“Tudo que a prefeitura começa não termina. Do jeito que está não está bom, mas duvido que melhore.”
Especialistas defendem projeto amplo e contínuo
Para o especialista em trânsito Silvestre Andrade, a solução passa por ampliação das faixas, melhoria da infraestrutura para pedestres, reestruturação das áreas de escape e revisão completa da drenagem.
“O Anel foi construído para ser um anel viário, mas virou avenida urbana. Muda o dono, mas não o problema. Sem projeto contínuo, não há solução definitiva”, afirma.
Além disso, Andrade defende a integração do Anel com o futuro Rodoanel, que pode desviar parte do tráfego de longa distância que hoje se mistura ao fluxo urbano.
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