Minas Gerais registrou, em média, um feminicídio a cada três dias no primeiro semestre de 2025, segundo dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero. Entre janeiro e junho, 60 mulheres foram mortas em razão de seu gênero no estado, o que coloca Minas na segunda posição do ranking nacional, atrás apenas de São Paulo (128 casos).
Cenário nacional
No Brasil, foram registrados 718 feminicídios no período, dentro de um total de 481.218 mulheres vítimas de violência, incluindo:
- Ameaças: 292.270 casos
- Lesão corporal: 153.233
- Homicídios: 3.815
- Feminicídios: 1.197 (tentados e consumados)
Desde a criação da Lei do Feminicídio em 2015, 12.380 mulheres já foram vítimas desse tipo de crime no país.
Perfil das vítimas e autores
Segundo a promotora de Justiça Patrícia Habkouk, o feminicídio normalmente ocorre dentro de casa, e os autores são frequentemente parceiros ou ex-companheiros. “É uma morte anunciada. Se a mulher não receber proteção e acolhimento, há grande risco de óbito”, afirma.
A pesquisadora de políticas públicas Lívia de Souza alerta para a subnotificação de casos, já que muitas mortes de mulheres com histórico de violência doméstica são classificadas apenas como homicídio, e não como feminicídio.
Violência sexual
Em Minas, foram registrados 2.285 estupros de janeiro a junho de 2025, média de 12 casos por dia, uma leve queda em relação ao mesmo período de 2024 (2.423 casos). Nacionalmente, foram 33.999 registros, ou 187 por dia.
Casos recentes
- Coronel Fabriciano: mulher degolada pelo companheiro em 25/8; suspeito preso em flagrante.
- Belo Horizonte: Priscilla Mundim, de 46 anos, foi estrangulada pelo namorado, policial penal afastado; ele está em prisão preventiva. Familiares fizeram manifestação pedindo justiça.
A lei e a denúncia
- Lei do Feminicídio (13.104/2015): define como feminicídio o assassinato de mulheres por serem do sexo feminino, incluindo violência doméstica ou menosprezo à condição feminina.
- Estupro (Código Penal, arts. 213 e 215): define constrangimento à conjunção carnal ou atos libidinosos mediante violência, grave ameaça ou fraude.
Como buscar ajuda
- Emergência PM: 190
- Delegacias Especializadas (DEAM): atendimento a mulheres e investigação de violência sexual
- Central de Atendimento à Mulher: 180 (24h)
- Denúncias de violações de direitos humanos: 100
- Hospitais e serviços de saúde: atendimento de emergência e coleta de provas
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