Um laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) descartou a presença de substâncias tóxicas no sangue e na urina das três pessoas intoxicadas após consumirem torta de frango em uma padaria do Bairro Serrano, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte. O resultado foi divulgado nesta semana pelo advogado Magno Dantas, defensor do padeiro Ronaldo de Souza Abreu, acusado informalmente pelo dono da padaria de ter envenenado os alimentos.
O caso ocorreu em abril deste ano e resultou na morte de Cleuza Maria de Jesus, de 74 anos. A sobrinha da idosa, Fernanda Isabella de Morais Nogueira, de 23, e o namorado dela, José Vitor Carrillo Reis, de 24, também consumiram produtos da padaria e seguem internados, em recuperação após semanas na UTI.
Segundo Dantas, o laudo comprova que não houve envenenamento intencional. “A perícia não encontrou qualquer composto incomum nos exames toxicológicos. Agora, vamos ingressar com ações nas esferas cível, trabalhista e criminal contra o dono do estabelecimento, que caluniou meu cliente publicamente”, afirmou o advogado.
Padeiro nega envolvimento e aponta más condições sanitárias
Ronaldo de Souza Abreu, que havia sido contratado havia apenas seis dias quando ocorreu o incidente, apresentou-se espontaneamente à Polícia Civil. Ele negou qualquer envolvimento e apontou falhas graves nas condições de higiene e armazenamento dos alimentos da padaria Natália. A esposa dele, Ruth Lazarini, reforçou a denúncia, relatando ao Estado de Minas que os alimentos ficavam misturados e mal acondicionados em congeladores.
Ela também informou que o marido levou para casa uma torta da mesma fornada consumida pelas vítimas e que nenhum familiar apresentou sintomas.
Dono da padaria suspeitou de envenenamento e alegou desconhecer o funcionário
No dia do ocorrido, o proprietário da padaria afirmou à Polícia Militar que o padeiro era apenas um freelancer, sem vínculo formal, e que não possuía informações sobre seu contato ou endereço. Ele também alegou que o sistema de câmeras estava inoperante devido a um incêndio recente.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o empresário disse acreditar que o funcionário teria tentado envenenar a esposa por problemas conjugais, e por engano, deixou o alimento adulterado na padaria. A alegação, no entanto, não consta no boletim de ocorrência e não é sustentada por nenhuma prova concreta.
Laudos negam botulismo, mas família contesta
A principal suspeita inicial das autoridades sanitárias era botulismo, intoxicação grave provocada por toxinas da bactéria Clostridium botulinum. No entanto, exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz deram resultado negativo para a presença da toxina. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) solicitou análises complementares para investigar outras neurotoxinas e microrganismos.
Familiares, por sua vez, alegam que os médicos que cuidam do casal seguem considerando o botulismo como o diagnóstico mais provável. Segundo eles, há alto índice de falso negativo nesse tipo de exame.
Padaria foi interditada e segue fechada
A padaria Natália foi interditada pela Vigilância Sanitária de Belo Horizonte no dia 23 de abril por não possuir alvará sanitário. Em nova vistoria no dia 28, foram apreendidos alimentos fora dos padrões sanitários. Os produtos regulares foram recolhidos por funcionários. Desde então, o estabelecimento permanece fechado.
Investigação continua
O caso segue sob apuração da Polícia Civil de Minas Gerais, da Vigilância Sanitária e da Fundação Ezequiel Dias (Funed). Até o momento, não há conclusões definitivas sobre a causa da intoxicação que levou à morte de Cleuza Maria de Jesus. A polícia ainda não divulgou se a padaria poderá responder por homicídio culposo ou negligência sanitária.
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