Conferência em Belém (PA) sofre com ausência de grandes potências, críticas à infraestrutura e dúvidas sobre o protagonismo brasileiro no debate ambiental.
A Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30), que começou nesta semana em Belém do Pará, enfrenta um cenário de baixa histórica na participação de líderes mundiais e já ganhou um apelido nada elogioso: “Flop 30”, em referência ao termo em inglês usado para designar fracasso.
De acordo com a ONU, menos de 60 chefes de Estado e de governo confirmaram presença no evento — uma queda expressiva em comparação com edições anteriores, como a COP26, em Glasgow, que reuniu cerca de 120 líderes, e a COP28, em Dubai, que teve recorde de delegações oficiais.
Grandes potências ausentes
Entre os principais ausentes estão os Estados Unidos, a China e a Índia, responsáveis por quase 60% das emissões globais de gases de efeito estufa. A ausência dos líderes desses países foi interpretada por observadores internacionais como um sinal de enfraquecimento do engajamento político global diante da crise climática.
Segundo diplomatas ouvidos por veículos como The Guardian e BBC, a falta dessas potências compromete o peso político da conferência e reduz a expectativa de avanços concretos nas metas de descarbonização e financiamento climático.
“O mundo esperava que a COP30 fosse o marco de um novo ciclo de compromissos para 2035. Mas a ausência das grandes economias torna difícil qualquer consenso ambicioso”, avaliou o pesquisador Carlos Rittl, ex-secretário do Observatório do Clima.
Desafios logísticos e críticas à infraestrutura de Belém
Além das ausências diplomáticas, a infraestrutura da capital paraense também entrou no centro das críticas. Relatos de delegações estrangeiras apontam altos custos de hospedagem, problemas de transporte e deficiências na rede hoteleira e no saneamento básico.
Esses fatores, somados à distância geográfica e à limitação de voos internacionais diretos para Belém, teriam contribuído para a baixa adesão de representantes e organizações internacionais.
O governo federal investiu cerca de R$ 1,2 bilhão em obras de mobilidade e urbanização na cidade para sediar o evento. Mesmo assim, observadores afirmam que o ritmo das obras e a capacidade logística local ainda deixam dúvidas sobre o legado da conferência para a região amazônica.
Temas centrais e tentativas de protagonismo
Apesar do cenário adverso, a COP30 mantém sua pauta focada em três eixos principais:
- Financiamento climático para países em desenvolvimento;
- Proteção da Amazônia e combate ao desmatamento;
- Inclusão e protagonismo dos povos indígenas na formulação de políticas ambientais.
O governo brasileiro tenta reafirmar o papel do país como líder ambiental, sobretudo após a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “zerar o desmatamento até 2030”. Lula defendeu a criação de um fundo global permanente para proteção das florestas tropicais e cobrou maior comprometimento dos países ricos.
No entanto, analistas apontam que, sem a presença das grandes economias e com dificuldades internas de articulação, o protagonismo esperado para o Brasil pode ser ofuscado.
“O Brasil queria transformar Belém no epicentro da diplomacia verde, mas a ausência de líderes e os problemas logísticos tiram força simbólica da conferência”, observou a cientista política Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa.
Repercussão internacional
O apelido “Flop 30” circulou rapidamente nas redes sociais e foi reproduzido por veículos internacionais como Reuters e El País, destacando o contraste entre o discurso ambicioso do governo brasileiro e a adesão limitada do cenário global.
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