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Lula e o risco fiscal: semelhanças com Dilma e a incerteza sobre o futuro econômico do Brasil

O terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem gerado preocupações entre especialistas, que enxergam semelhanças com a gestão de Dilma Rousseff, sua sucessora. Em editorial publicado nesta quarta-feira (10), o jornal O Estado de S. Paulo destacou que a elevação da classificação de risco do Brasil pela agência Moody’s, que coloca o país a um passo do grau de investimento, veio como uma surpresa. No entanto, as projeções para os próximos anos são de incerteza, com previsões de um possível rebaixamento dentro de dois ou três anos, em razão do aumento dos gastos públicos e da negligência com a política fiscal.

Economistas como Samuel Pessoa, da Fundação Getulio Vargas (FGV), e Márcio Holland, ex-secretário de Política Econômica, alertam que o crescimento atual da economia brasileira é insustentável, impulsionado pelo aumento dos gastos públicos. Segundo Pessoa, o Brasil está vivendo um crescimento com base no pleno emprego, mas com salários crescendo além da produtividade, exportações líquidas caindo e a rentabilidade das empresas em declínio.

Márcio Holland lembra que a recessão enfrentada no governo Dilma já apresentava sinais claros de problemas fiscais em 2012, mas o governo evitou tomar medidas de ajuste para não prejudicar a popularidade da presidente. Para ele, o mesmo padrão está se repetindo com Lula, com um ajuste fiscal sendo postergado. Holland afirma que as eleições de 2026 podem levar o governo a adiar novamente as medidas necessárias.

Outro ponto crítico apontado pelo Estadão é a escalada do endividamento público. A dívida pode atingir 82% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2026, um comprometimento muito acima da média dos países emergentes. Essa projeção de aumento de 14 pontos percentuais no PIB é resultado direto da falta de controle fiscal e pode comprometer a solvência do país.

Embora a Moody’s tenha dado um voto de confiança ao governo, a capacidade de implementar um ajuste fiscal eficiente é questionada. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem trabalhado para equilibrar as contas, mas enfrenta resistências dentro de um governo que historicamente tem dificuldade em controlar gastos.

A batalha de Haddad para conter o endividamento público é quase solitária, e sem medidas claras para reduzir as despesas obrigatórias, o espaço para manobras econômicas se torna cada vez menor.


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