A grave crise financeira enfrentada pelos Correios se tornou ainda mais evidente nesta segunda-feira (12/5), quando a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT) divulgou uma carta exigindo explicações do Governo Federal. A entidade sindical reagiu à decisão da empresa de suspender as férias e o trabalho remoto dos funcionários como parte de um plano emergencial para lidar com o rombo bilionário registrado em 2024.
De acordo com dados publicados no Diário Oficial da União, os Correios fecharam o ano passado com um prejuízo de R$ 2,6 bilhões — um salto expressivo em relação aos R$ 597 milhões negativos registrados em 2023. A queda na receita foi influenciada, entre outros fatores, pela redução nas compras internacionais após a implementação da “taxa das blusinhas”, que afetou diretamente a movimentação de encomendas no Brasil.

Em nota interna, a direção dos Correios justificou a adoção de medidas rígidas para contenção de despesas, ao mesmo tempo em que busca ampliar receitas com novos negócios. A empresa afirma que 85% de suas mais de 10 mil unidades são deficitárias, o que compromete o equilíbrio financeiro mesmo diante da prestação de serviço em todos os 5.567 municípios brasileiros.
A FENTECT, no entanto, afirma que foi surpreendida pelas medidas e promete ingressar com ações judiciais para revertê-las. A federação também anunciou o lançamento, no próximo dia 21, do Comitê em Defesa dos Correios. O grupo buscará apoio no Congresso Nacional e pretende se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a situação da estatal.
“O que os Correios precisam é de um plano urgente de investimentos do governo”, diz a carta, que termina com um recado direto ao Planalto: “Não aceitaremos retrocessos ou retirada de direitos. Elegemos este governo com a esperança de reconstruir tudo o que foi desmontado nos últimos anos”.
O prejuízo dos Correios puxou o rombo recorde das estatais federais em 2024, que somaram um déficit de R$ 8,07 bilhões, segundo o Banco Central — o maior da série histórica. Os Correios lideraram essa lista com R$ 3,2 bilhões de saldo negativo primário. Apesar disso, o governo argumenta que parte desse resultado se deve a um aumento de 44% nos investimentos das estatais, que chegaram a R$ 96 bilhões em 2024.
Enquanto a disputa sobre os números e métodos de cálculo se mantém, os trabalhadores dos Correios seguem apreensivos diante da pior crise financeira e trabalhista da empresa em décadas.
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