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INSS reativa acordo com a Contag e decisão gera reação de parlamentares e da CPMI das Fraudes

Convênio com entidade investigada por descontos indevidos em benefícios previdenciários havia sido rescindido em abril e voltou a vigorar neste mês

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) restabeleceu o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado com a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), entidade investigada no âmbito das apurações sobre descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União no início de junho e assinada pela presidente do INSS, Ana Cristina Viana Silveira. O ato torna sem efeito a rescisão unilateral do convênio, determinada em abril deste ano durante as primeiras medidas adotadas pela nova gestão da autarquia.

A retomada do acordo provocou reações de parlamentares da oposição e integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou o esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários.

O que é o acordo entre INSS e Contag

O Acordo de Cooperação Técnica permite que sindicatos e entidades vinculadas à Contag auxiliem trabalhadores rurais e segurados na formalização de requerimentos e serviços previdenciários junto ao INSS.

Segundo a autarquia, o convênio não envolve transferência direta de recursos públicos à entidade e tem como objetivo facilitar o acesso de trabalhadores rurais aos serviços previdenciários.

A Contag é uma das maiores organizações de representação de trabalhadores rurais do país e mantém acordos de cooperação com o INSS há vários anos.

Entidade é investigada por descontos indevidos

A Contag está entre as entidades citadas nas investigações conduzidas pela Polícia Federal, pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo Ministério da Previdência sobre supostos descontos associativos realizados sem autorização de aposentados e pensionistas.

As apurações integram a chamada Operação Sem Desconto, que investiga um esquema envolvendo cobranças efetuadas diretamente na folha de pagamento de beneficiários do INSS. As investigações ainda estão em andamento e não houve decisão judicial definitiva sobre eventual responsabilidade da entidade.

Em manifestações públicas anteriores, a Contag negou irregularidades e afirmou que os descontos realizados ocorreram mediante autorização dos beneficiários vinculados aos sindicatos integrantes de seu sistema confederativo. A entidade também declarou ter comunicado ao INSS possíveis casos de descontos indevidos identificados nos últimos anos.

Governo cita parecer jurídico para justificar retomada

De acordo com o INSS, a reativação do acordo foi baseada em parecer da Procuradoria Federal Especializada junto à autarquia.

O entendimento jurídico apontou que os requisitos legais para a manutenção do convênio permanecem válidos, uma vez que não houve condenação definitiva da entidade e que o acordo não prevê repasse financeiro direto de recursos públicos.

O pedido de revisão apresentado pela Contag foi acolhido pelo instituto, resultando na anulação da rescisão publicada anteriormente.

Senador Carlos Viana promete nova representação

Entre os críticos da decisão está o senador Carlos Viana, que presidiu a CPMI das Fraudes no INSS.

O parlamentar classificou a retomada do acordo como um erro e anunciou que pretende encaminhar representação ao Ministério Público Federal para questionar a medida. Segundo ele, a decisão contraria o esforço realizado pela comissão parlamentar para apurar os prejuízos causados a aposentados e pensionistas.

Outros parlamentares também protocolaram pedidos de esclarecimento ao governo federal e defendem uma reavaliação da parceria até a conclusão das investigações.

Debate deve continuar

A reativação do convênio ocorre em meio às discussões sobre mecanismos de controle dos descontos associativos em benefícios previdenciários e sobre a necessidade de reforçar a proteção dos aposentados contra fraudes.

Enquanto críticos defendem a suspensão de acordos com entidades sob investigação, o governo argumenta que medidas administrativas devem respeitar garantias legais e o devido processo até a conclusão das apurações.

O tema deverá continuar no centro do debate político em Brasília, especialmente diante das investigações em andamento e das cobranças por maior transparência na gestão dos benefícios previdenciários.

Leia mais: INSS reativa acordo com a Contag e decisão gera reação de parlamentares e da CPMI das Fraudes

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