Em seu livro Quando o corpo diz não, o médico húngaro-canadense Gabor Maté apresenta uma tese poderosa (e incômoda para a indústria farmacêutica e para muitos de seus colegas de profissão): a doença física não é um evento aleatório ou meramente genético, mas muitas vezes o resultado final de anos de repressão emocional e estresse, visível ou invisível. Quer dizer: se é verdade que “corpo são, mente sã”, o inverso é igualmente real e não menos significativo.
O senso comum e a maioria das culturas — notadamente no âmbito patriarcal — nos ensinam que devemos controlar as emoções na medida do possível, no sentido de suprimi-las. Bem, é fato que precisamos saber conviver em sociedade e seguir algumas normas, e isso demanda certo controle emocional. Porém, há limites para tudo, e os limites podem ser tênues no caso dos danos emocionais. Nesse fulcro, o dr. Maté, em sua obra mais recente supracitada, defende que o verdadeiro controle vem da expressão autêntica e do reconhecimento das nossas necessidades. Para dizer com mais clareza: quando “engolimos” nossos sentimentos para agradar aos outros ou evitar conflitos, o corpo assume a tarefa de dizer “não” por meio de sintomas desagradáveis e, afinal, da doença.
A CONEXÃO MENTE-CORPO
O dr. Maté utiliza a psiconeuroimunologia para explicar que os sistemas nervoso, imunológico e endócrino (este o responsável pelos hormônios) não funcionam isoladamente. Eles formam uma unidade. São simbióticos, coexistentes. Assim, pode ocorrer em nosso corpo o “Não” Biológico: se não conseguimos dizer “não” às demandas excessivas dos outros ou ao estresse crônico, nosso sistema imunológico acaba por assumir esse “não” para nós. O que acontece então? O “não”, que são as emoções reprimidas, se manifestam em doenças como esclerose múltipla, artrite reumatoide, problemas de pele, do trato gastrointestinal e cardíacos, e até câncer.
Sim, até câncer. Por causa de problemas emocionais, por vezes lá atrás na nossa história — nunca aceitamos ou soubemos lidar com alguém ou alguma situação, ou com nós mesmos.
Por outro lado, o experiente médico das emoções, Maté, identificou traços em comum em pacientes com doenças crônicas, o que chamou de Personalidade Tipo C: extrema necessidade de agradar, repressão da raiva, excesso de responsabilidades e negação da própria dor para não sobrecarregar os outros. Ou seja: você é muito bonzinho com os outros e acaba sendo mau para si mesmo. E isso faz você adoecer.
OS 7 A’S DA CURA (THE SEVEN A’S OF HEALING)
Todavia, a obra e as suas pesquisas do dr. Maté não apenas acendem uma luz amarela — ou até vermelha — sobre a importância da saúde mental em relação à saúde física humana. Ele fez uma lista de 7 princípios fundamentais para garantir a saúde física e mental, sugerindo meios de reverter os impactos do estresse emocional. São eles:
- Aceitação: reconhecer a realidade das coisas como são, evitando a negação.
- Atenção (Awareness): aprender a ler os sinais de estresse que o corpo envia antes que eles se tornem patológicos.
- Raiva (Anger): não se trata apenas de explosão importuna, mas antes de se permitir sentir a raiva como uma força de autoproteção necessária.
- Autonomia: desenvolver um senso de identidade próprio, independente das expectativas alheias (bom, ao menos tentar).
- Apego (Attachment): buscar conexões sociais genuínas, visto que a solidão e o isolamento são biologicamente tóxicos.
- Afirmação: validar seu próprio valor e os direitos de existir e de ser ouvido.
- Assertividade: a capacidade de declarar quem você é e do que precisa de forma clara, primeiramente para si mesmo.
Em suma: há um movimento cada vez mais expansivo de aliar doenças físicas a estados emocionais na Medicina e áreas correlatas. Estamos voltando ao que pregavam os médicos na Antiguidade, como na medicina chinesa milenar: saúde física está direta e inalienavelmente ligada à saúde mental. Se se quer curar o corpo, há de se curar a mente. Se não se curar a mente, é mais difícil ou até impossível, em certos casos, curar o corpo.
É que nos costumamos, muitos de nós, a tomar muitos remédios e a seguir dicas aparentemente fáceis — não apenas na área da Saúde, mas em nossas vidas sob a tecnologia e hiperconexão da Pós-Modernidade. Raramente o caminho mais fácil é o melhor: a História tem nos mostrado isso. Precisamos assumir a responsabilidade de nossos atos, mas também precisamos compreendê-los, perdoá-los, vigiar e aprender a lidar com nossas emoções. Médicos devem se formar nas faculdades com essa noção: emoções e sentimentos importam, decisivamente, para a saúde física.
Não somos “um pedaço de carne”, como disse o sagaz dr. House em um episódio de “Dr. House”; não quer dizer que possamos exigir a condição de especiais, dada a alta demanda de profissionais que cuidam da saúde, e suas dificuldades e falhas. Talvez exatamente para expressar essas vulnerabilidades de médicos e psicólogos é que haja tantos seriados e filmes relatando sua dura rotina — e, em geral, são um sucesso. Médicos e psicólogos que querem curar precisam, antes de tudo, curar a si mesmos.
Espero que mais profissionais como o dr. Gabor Maté possam surgir, e mais estudos sobre os entrelaçamentos entre corpo e mente. Nosso cérebro sempre foi um mistério para a Ciência — por que subestimá-lo? O que muitos chamam de “frescura” ou “falta do que fazer” (inclusive certos médicos!) pode ser a raiz de um câncer, uma doença autoimune incurável, uma degeneração do corpo físico. O que dói para mim, pode não doer para você. O que me afeta pode não afetar você. Somos diferentes, e todo sentimento e emoção deve ser respeitada. Mas, veja: quem primeiro deve reconhecer e respeitar nossas próprias emoções somos nós mesmos. Ao contrário de fraqueza, é força.
Máscaras emocionais e sociais podem arrebentar do lado de dentro, mais cedo ou mais tarde. E arrebentar nossa saúde física e mental. Precisamos ser autênticos com nós mesmos e — na medida do possível — com os outros. Perderemos coisas, oportunidades, pessoas, mas na verdade estaremos nos salvando. E, mais uma vez: ser autêntico não é não ter freios, mas entender que precisamos manter as emoções sob controle, sem sufocá-las, permitindo-nos a coragem para o necessário processamento desses sentimentos, impressões e expressões que são as emoções.
Quando ignoramos nossas verdades emocionais (e a tarefa de descobri-las), o corpo eventualmente cobra a conta. E não raro ela é cara, mais dispendiosa quanto mais adiamos o cuidado da nossa alma, do nosso coração, das nossas emoções. Somos o que pensamos, mas, mais que isso: somos e seremos o que sentimos.
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