A investigação da Polícia Federal (PF) sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (12). Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicariam pagamentos de ao menos R$ 20 milhões a uma empresa ligada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que até então era o relator do caso na Corte.
As informações foram reveladas por colunistas da CNN Brasil e do UOL. De acordo com a PF, ainda não há comprovação de que os valores mencionados nas conversas tenham sido efetivamente transferidos ao magistrado ou a eventuais intermediários.
Pagamentos e fundo Arleen
As menções aos repasses aparecem em diálogos entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. Segundo a investigação, os pagamentos teriam sido feitos por meio do Fundo Arleen, ligado ao ex-banqueiro e controlado por Zettel.
O fundo havia adquirido participação no Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (SP), empreendimento que integrava o grupo da empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio ao lado dos irmãos. Em nota divulgada nesta quinta-feira, o ministro confirmou a participação societária, mas negou qualquer relação pessoal ou financeira com Vorcaro ou Zettel.
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a diferença temporal entre as operações. A venda parcial das cotas do resort ao Fundo Arleen ocorreu em setembro de 2021, por valor superior a R$ 3 milhões. Já o contrato que previa pagamentos adicionais do fundo à Maridt foi firmado apenas em 2024.
Nos diálogos analisados, Vorcaro e Zettel citam os valores como forma de pagamento a Toffoli. O ministro, por sua vez, afirma que jamais recebeu recursos diretamente dos dois.
Operação e liquidação do banco
O celular de Vorcaro foi apreendido em novembro, durante a Operação Compliance Zero. O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central do Brasil (BC) após intervenção regulatória.
O inquérito chegou ao STF por decisão do próprio Toffoli, após pedido da defesa de Vorcaro, que solicitou a retirada da supervisão da 10ª Vara Federal da Justiça do Distrito Federal. Como ministro do STF, Toffoli tem foro por prerrogativa de função, e eventuais investigações envolvendo magistrados da Corte devem tramitar no Supremo.
Além disso, a Reag Investimentos — administradora ligada ao Banco Master e controladora do Fundo Arleen — já havia sido alvo de operação da PF em 2025 por suspeitas de lavagem de dinheiro.
Pressão e saída da relatoria
Após a PF entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório apontando indícios de possíveis ilícitos, os ministros da Corte se reuniram a portas fechadas na tarde desta quinta-feira.
Ao fim do encontro, o Supremo divulgou nota afirmando que não havia fundamento jurídico para arguição de suspeição contra Toffoli, reconhecendo a validade dos atos praticados por ele no processo e expressando apoio institucional ao ministro.
Ainda assim, Toffoli optou por deixar a relatoria do caso. A Presidência do STF determinou a redistribuição do inquérito, que passou, por sorteio, ao ministro André Mendonça.
Ao deixar o prédio do Supremo, Toffoli afirmou estar “tranquilo” e destacou que a decisão foi unânime entre os colegas.
Nota de defesa
Em nota oficial, o gabinete do ministro afirmou que a empresa Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, regularmente declarada à Receita Federal. Segundo o comunicado, Toffoli integra apenas o quadro societário, sem exercer função de gestão — o que é permitido pela Lei Orgânica da Magistratura, desde que o magistrado não atue na administração.
O texto também esclarece que a saída da família Toffoli do grupo Tayayá ocorreu em duas etapas: a venda parcial ao Fundo Arleen, em 2021, e a alienação do saldo remanescente à PHD Holding, em fevereiro de 2025.
Toffoli negou amizade íntima ou relação pessoal com Vorcaro e afirmou que jamais recebeu valores do ex-banqueiro ou de seu cunhado.
Contexto institucional
O caso ocorre em meio a questionamentos públicos sobre a condução do inquérito, inclusive após revelação de que Toffoli viajou, em novembro de 2025, em voo particular para Lima, no Peru, ao lado de um advogado ligado ao Banco Master.
Apesar da pressão política e de representações apresentadas por parlamentares, o procurador-geral da República arquivou pedido de afastamento do ministro no mês passado.
Com a redistribuição, caberá agora ao novo relator conduzir as próximas etapas da investigação, incluindo análise do material apreendido e eventuais desdobramentos criminais.
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