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Avanço dos BRICS sobre dólar eleva tensões com EUA e motiva sanções contra Brasil, dizem analistas

Dilma: Banco do Brics terá 30% da carteira em moedas locais em 2026


O fortalecimento do bloco BRICS e o movimento para reduzir a dependência global do dólar americano vêm intensificando as tensões geopolíticas entre o grupo liderado por China, Brasil, Rússia, Índia e África do Sul e os Estados Unidos. Analistas apontam que o avanço dessa agenda é um dos principais fatores por trás das recentes ameaças de sanções e pressões comerciais dos EUA sobre o Brasil e outros países do bloco.

Na quarta-feira (9), a presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, voltou a defender o uso de moedas locais nos financiamentos do banco, afirmando que isso representa uma saída viável para países em desenvolvimento enfrentarem custos elevados de endividamento internacional.

“Uma das soluções mais promissoras envolve a ampliação do uso de moedas locais nos financiamentos realizados por bancos multilaterais, porque você obterá uma taxa de juros menor,” destacou Dilma durante o seminário A Transição Energética e a Sustentabilidade do Futuro, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.

Segundo Dilma, cerca de 25% da carteira do NDB já está denominada em moedas locais, com meta de alcançar 30% até 2026. Esse movimento é visto como estratégico pelos países do bloco, pois diminui a exposição cambial e os impactos das oscilações do dólar ou euro, além de mitigar riscos em financiamentos de longo prazo, como em projetos de infraestrutura ou energia.

“O acesso à moeda internacional muitas vezes não é adequado para financiamento de longo prazo, porque em 20 ou 30 anos podem ocorrer situações que o país não controla, como crises financeiras ou mudanças bruscas na política monetária americana,” explicou a ex-presidente brasileira.

Tensão com os Estados Unidos

A estratégia de desdolarização do comércio e dos investimentos, porém, tem gerado forte reação dos EUA. O presidente Donald Trump, que busca reeleição em meio a tensões comerciais com a China, já classificou o movimento do BRICS como “antiamericano” e chegou a ameaçar impor tarifas e sanções a países que avançarem na adoção de moedas locais em substituição ao dólar em grandes operações financeiras.

O temor de Washington é perder o papel do dólar como moeda hegemônica global, o que impactaria diretamente sua capacidade de financiar déficits internos e exercer influência econômica mundial. “Se países emergentes começarem a operar cada vez mais em suas próprias moedas, haverá menor demanda por dólar, afetando o poderio econômico e geopolítico dos EUA,” avalia o economista e professor de relações internacionais Paulo Velasco, da UERJ.

Fontes ligadas ao Ministério da Fazenda admitem, nos bastidores, que parte das tensões comerciais recentes entre Brasil e EUA — incluindo restrições a produtos brasileiros — tem pano de fundo político e está relacionada à aproximação brasileira com a China e aos movimentos de desdolarização.

Banco do BRICS financia expansão dos países membros

Desde sua criação em 2014, o Novo Banco de Desenvolvimento já aprovou 122 projetos que somam cerca de US$ 40 bilhões, dos quais US$ 7 bilhões destinados ao Brasil. Apenas o Brasil teve 29 projetos aprovados, envolvendo principalmente infraestrutura, energia limpa e logística, setores considerados estratégicos para o desenvolvimento sustentável.

O banco também ampliou sua presença, passando de cinco membros originais para 11 países. Além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, fazem parte agora Emirados Árabes, Bangladesh, Egito, Argélia, Uzbequistão e Colômbia. Apesar disso, ser membro do BRICS não garante acesso automático ao NDB: cada projeto é analisado individualmente e deve atender aos critérios de sustentabilidade e viabilidade financeira.

Dilma reforçou, durante o evento, que a meta do banco não é criar instabilidade no sistema financeiro internacional, mas ampliar as opções de financiamento para países emergentes. “Nós não somos contra ninguém. O NDB quer construir alternativas que sejam mais seguras e menos custosas para os países em desenvolvimento,” afirmou.

Guerra monetária em curso?

Especialistas classificam o momento atual como uma verdadeira “guerra monetária” velada, em que a disputa não é apenas econômica, mas também estratégica e política. A China, principal economia do bloco BRICS, tem pressionado fortemente para internacionalizar o yuan, algo que preocupa Washington.

“A agenda do BRICS mexe em interesses muito sensíveis. A guerra por procuração não é só militar ou comercial, ela é também monetária,” diz Velasco. Segundo ele, ao se integrar mais profundamente ao projeto de moedas locais, o Brasil inevitavelmente se coloca no centro dessa disputa global.

Enquanto isso, países como Brasil equilibram-se entre atrair investimentos multilaterais do bloco e evitar retaliações econômicas de seu ainda importante parceiro comercial, os Estados Unidos. Para muitos analistas, o futuro dessa disputa pode redefinir o mapa das relações econômicas mundiais nas próximas décadas.


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