O quadro de saúde de Cleonice Pardinho, 59 anos, se agravou nesta terça-feira (7) após complicações decorrentes da colocação de um balão intragástrico em uma clínica de Belo Horizonte. Cleonice sofreu uma convulsão cerebral, voltou ao CTI entubada e permanece em estado gravíssimo.
Segundo relatos da filha, Stephanie Fune, a situação se tornou cada vez mais difícil. “Ela voltou para o CTI, está entubada novamente, e até hoje nada, não conseguimos nada, está bem complicado”, lamentou, citando a falta de auxílio da clínica onde a mãe fez o procedimento.
De procedimento estético a tragédia
O balão intragástrico, considerado um método seguro para emagrecimento quando conduzido corretamente, resultou em perfuração gástrica, infecção generalizada e duas cirurgias reconstrutivas. O procedimento foi realizado em 31 de julho, e horas após a inserção, Cleonice apresentou dor intensa e queda de saturação de oxigênio para 80%.
De acordo com a família, a clínica responsável ignorou sinais claros de complicação, não solicitou exames de imagem nem encaminhou a paciente para atendimento hospitalar imediato. Somente após ser levada ao Hospital Júlio Kubitschek, foi constatada a gravidade da situação, incluindo perfuração gástrica e infecção abdominal. Desde então, Cleonice está em coma induzido, e sua condição de saúde se mantém crítica.
Procedimento seguro quando bem conduzido
Conforme a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), o balão intragástrico tem taxa de complicações graves inferior a 0,2%, desde que seguidos protocolos que incluem:
- Avaliação prévia com exames endoscópicos e laboratoriais;
- Acompanhamento multidisciplinar (médico, nutricionista, psicólogo);
- Medicação profilática (antieméticos e inibidores de bomba de prótons);
- Retorno precoce em até 7 dias;
- Remoção imediata do balão em caso de dor persistente, vômitos intensos, febre ou sinais de perfuração.
Especialistas alertam que a dor intensa nas primeiras horas não é um sintoma esperado e deveria ter motivado exames urgentes. A ausência de diagnóstico precoce aumenta o risco de septicemia, como evidenciado no caso de Cleonice.
Especialistas apontam possível negligência
O escritório Oliveira e Mesquita Sociedade de Advogados, por meio da sócia Elisângela Oliveira, juntamente com a advogada Fernanda Moraes, destaca que a situação pode configurar erro médico por negligência, permitindo ações cíveis e criminais.
“A clínica tinha o dever de acompanhar a paciente, realizar exames complementares e, se necessário, remover o balão de forma emergencial. A omissão configura violação legal e ética”, afirmam as advogadas.
Próximos passos
A família informou que pretende acionar o CRM-MG para apuração da conduta médica, a Vigilância Sanitária para verificar a clínica e, caso haja risco coletivo, o Ministério Público Estadual. Judicialmente, a intenção é buscar indenização por danos materiais e morais e a apuração criminal da conduta negligente.
O caso evidencia a necessidade de maior fiscalização em clínicas de estética e procedimentos minimamente invasivos, setor em rápida expansão no Brasil, que sem protocolos rigorosos pode transformar promessas de saúde em tragédias irreparáveis.
Enquanto isso, familiares de Cleonice seguem mobilizados, cobrando justiça e atenção médica nas redes sociais e pedindo orações pela recuperação da paciente.
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