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Violência explode em centros de saúde de BH: Agressões crescem 51% em meio a alta demanda e esgotamento

Os centros de saúde de Belo Horizonte estão se tornando um campo de batalha, com um alarmante aumento na violência. Em 2024, os casos de agressão nessas unidades cresceram 51%, saltando de 77 registros em 2023 para 116. E o cenário não melhora em 2025: entre janeiro e abril, já foram 34 ocorrências. Só na última semana, em apenas 24 horas, três casos de violência foram registrados, incluindo agressão a médico, ameaça com arma de fogo e vandalismo.

De um lado, pacientes, muitos em situação de vulnerabilidade e com a saúde fragilizada, exigem rapidez e eficiência no atendimento. De outro, profissionais de saúde, esgotados física e psicologicamente, lidam com a precariedade estrutural, baixos salários e sobrecarga de trabalho. Essa combinação explosiva está no cerne do aumento dos conflitos.

Um Problema Estrutural e o Desgaste dos Profissionais

Para o especialista em criminalidade e segurança pública Arnaldo Conde Filho, a violência nas unidades de saúde é um reflexo de problemas sociais mais amplos. “Assim como em hospitais, esses não são ambientes de pessoas felizes. Quando há frustração com o atendimento, muitos recorrem à agressão. A comunicação é essencial: o paciente precisa entender o que está acontecendo, o que pode acontecer e quando será atendido”, explica.

A diretora executiva do Sind-Saúde/MG, Neuza Freitas, aponta a ligação direta entre as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores e a violência sofrida. “Muitas vezes, o trabalhador não consegue realizar o número de atendimentos por falta de pessoal. No Estado, há hospitais em que profissionais assumem dois ou três setores. Eles não dão conta e não conseguem oferecer um atendimento digno. Consequentemente, acabam sendo agredidos”, afirma Freitas.

O problema é complexo e, segundo Conde, não será resolvido apenas com mais segurança. “Não adianta aumentar o número de seguranças sem treinamento em comunicação, acolhimento e manejo de pessoas em crise. É preciso um preparo diferenciado para lidar com esse público”, defende o especialista, que também ressalta a importância de políticas públicas que melhorem os serviços essenciais para reduzir as tensões sociais.

Medo e Tensão no Dia a Dia das Unidades

A reportagem do O TEMPO visitou o Centro de Saúde Vila Maria, no Jardim Vitória, e o Centro de Saúde Vila Pinho, no Barreiro, locais de recentes incidentes. A ausência de patrulhamento fixo da Guarda Civil Municipal na recepção e áreas de atendimento foi notada. Funcionários, que preferem não se identificar, relatam viver sob constante tensão e medo. “Soubemos depois que a arma era de brinquedo, mas a gente prefere não pagar para ver. As réplicas são muito parecidas com as reais, não sei diferenciar”, desabafou uma funcionária do Vila Maria.

Além das agressões físicas, a hostilidade crescente e a falta de compreensão sobre os processos internos são fontes de atrito. “Eles também não compreendem o funcionamento dos processos. Muitos se irritam quando há prioridade para gestantes ou quando a farmácia fecha temporariamente para organização”, relatou outra trabalhadora.

Ações e Desafios da Gestão Pública

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que investe continuamente na infraestrutura das unidades de saúde, com 53 centros de saúde já reconstruídos por meio de Parceria Público-Privada (PPP) e a previsão de mais unidades até 2026. A PBH também destacou investimentos em manutenção e adequação das unidades e a atuação do programa Patrulha SUS, com duplas de guardas em viaturas realizando rondas preventivas. Em relação à força de trabalho, a PBH menciona a realização de concursos públicos e contratações administrativas para recompor equipes, além de negociações salariais anuais.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), está ampliando a capacidade de atendimento em unidades estratégicas para enfrentar o aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com a abertura de novos leitos em hospitais como o João Paulo II e o Júlia Kubitschek.

No entanto, a diretora do Sind-Saúde/MG, Neuza Freitas, critica a falta de planejamento do poder público. “Todos os anos, nesse período, sabemos que há aumento de casos. Mas o governo não se previne”, pontua, referindo-se aos picos de doenças respiratórias e arboviroses, que historicamente aumentam a pressão sobre o sistema de saúde.

Como Denunciar e Buscar Ajuda

Para reclamações e críticas sobre os atendimentos, a PBH orienta o contato com a Ouvidoria da PBH pelos seguintes canais:

  • Aplicativo PBH APP (disponível na Play Store e App Store)
  • Telefone 156 (segunda a sexta, das 7h às 19h)
  • Presencialmente no BH Resolve (Rua dos Caetés, 342 – Centro, de segunda a sexta, das 8h às 17h, com agendamento obrigatório)

Em casos de agressões ou discussões, o contato deve ser imediato com a Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte, através do telefone 153.

A crescente violência nos centros de saúde de Belo Horizonte é um reflexo preocupante das tensões sociais e da sobrecarga no sistema de saúde. É um desafio que exige uma abordagem multifacetada, combinando segurança, melhorias estruturais, valorização profissional e, acima de tudo, um diálogo mais eficaz entre gestores, profissionais e usuários.

Leia mais: Violência explode em centros de saúde de BH: Agressões crescem 51% em meio a alta demanda e esgotamento

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