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PF e PCMG desarticulam esquemas de tráfico, lavagem de dinheiro e importação ilegal em megaoperações em BH


A manhã desta quinta-feira (4/9) foi marcada por duas grandes ações contra o crime organizado em Belo Horizonte e cidades vizinhas. Polícia Federal (PF) e Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagraram operações distintas, mas com o mesmo alvo: o combate ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro e ao contrabando de alto padrão.

Esquema internacional de drogas e eletrônicos

A PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Lagoa Santa, Juiz de Fora e São Paulo contra um grupo investigado por tráfico internacional de drogas e importação ilegal de eletrônicos.

O esquema foi descoberto em maio de 2024, quando a polícia apreendeu 200 quilos de haxixe e aparelhos avaliados em R$ 25 milhões, enviados de Miami (EUA) ao Terminal de Cargas do Aeroporto da Zona da Mata (Goianá).

Segundo as investigações, uma empresa de fachada declarava falsamente o conteúdo à Receita Federal, permitindo que a carga fosse liberada antes da fiscalização aduaneira. A PF apura a participação de funcionários do terminal no esquema.

Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e descaminho.

“Colarinho branco” do tráfico em BH

Paralelamente, a PCMG, por meio da 5ª Delegacia do Denarc, deflagrou a Operação Alcance no bairro Dom Bosco, região Noroeste da capital. O alvo principal foi um núcleo criminoso especializado em lavagem de dinheiro e ocupação de bens de alto padrão usados para financiar o narcotráfico.

Um dos investigados, bacharel em direito de 34 anos, foi preso após cuspir em cinegrafistas durante a ação. O homem atuava como voluntário no juizado de Betim e prestava serviços na Vara da Infância e Juventude. Ele poderá responder por injúria.

Dois outros suspeitos foram presos em flagrante com munições e drogas. Um deles tentou reagir, tentando sacar a arma de uma policial, mas foi contido. Ambos foram autuados por posse ilegal de munições, resistência e agressão a policial.

Segundo o delegado Davi Moraes, o grupo agia como “mentores intelectuais do narcotráfico”, utilizando laranjas e empresas fictícias para lavar os recursos ilícitos. As residências alvo da operação chamaram atenção pelo alto padrão, destoando do perfil tradicional de investigados por crimes dessa natureza.

Próximas fases

A PCMG afirmou que a operação pode avançar para identificar os beneficiários finais dos recursos lavados. Já a PF mantém foco em rastrear a rota internacional utilizada para entrada das drogas e produtos eletrônicos em Minas Gerais.

As duas operações revelam a atuação integrada e multifacetada do crime organizado no estado, que alia tráfico internacional, colarinho branco e estruturas empresariais clandestinas para movimentar milhões de reais e desafiar as autoridades.

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