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Inflação nos alimentos faz 44% dos brasileiros trocarem marcas e 35% mudarem cardápio, aponta pesquisa

Com dados de Ipsos-Ipec, IBGE e FAO.


O aumento constante no preço dos alimentos está obrigando milhões de brasileiros a mudar hábitos de consumo para manter as contas em dia. Segundo levantamento realizado pelo Ipsos-Ipec, 44% da população passou a comprar marcas mais baratas, enquanto 35% têm alterado o cardápio, reduzindo, por exemplo, o consumo de café ou trocando carnes nobres por cortes mais baratos.

Esse comportamento se intensifica em períodos de inflação, quando o poder de compra diminui, explica o economista Paulo Casaca, doutor e mestre pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. “Os preços sempre tendem a subir, embora não de forma linear. E aí o consumidor se vê obrigado a substituir, de tempos em tempos, os produtos que encarecem. Agora é o café, meses atrás foi o tomate, já passamos pela carne. Isso tende a continuar — e, com as mudanças climáticas, a situação deve se agravar”, alerta.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação acumulada dos alimentos nos últimos 12 meses ultrapassa 5,5%, pressionada especialmente por produtos como café, arroz, feijão e carnes.

Apesar do cenário desafiador, Casaca aponta um fator positivo. “Hoje o consumidor tem uma cesta de produtos muito mais ampla, o que facilita a troca em momentos de escassez ou aumento de preços”, observa.

Dicas para economizar

Para os consumidores que sentem o impacto no bolso, a principal recomendação do economista é pesquisar antes de comprar. “Os mesmos produtos podem ter preços muito diferentes entre os estabelecimentos. Hoje, com a internet, é possível comparar valores online e até comprar sem sair de casa. É preciso gastar um tempo com isso, mas no final vale a pena: pesquise preços e compre mais barato”, aconselha.

É o que tem feito o cabeleireiro Adriano Ribeiro, de 37 anos, que passou a usar aplicativos para monitorar promoções e comparar preços de supermercados. “Antigamente, eu comprava tudo no mesmo lugar. Hoje, pesquiso antes, vou onde está mais barato e aproveito as promoções. No fim do mês, faz muita diferença”, conta.

Mudanças climáticas preocupam

A expectativa, porém, é que os desafios persistam. Especialistas do setor agroalimentar alertam que fenômenos climáticos extremos, como o El Niño, têm encarecido ainda mais itens essenciais. O último boletim da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) prevê aumento na volatilidade de preços globais, pressionando a inflação no Brasil.

Enquanto isso, consumidores continuam ajustando o carrinho de compras, adaptando receitas e optando por marcas menos conhecidas para manter a alimentação sem estourar o orçamento.


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