O governo de Gâmbia, país da África Ocidental, está adotando medidas para conter uma prática que se tornou comum desde os anos 1990: o turismo sexual envolvendo mulheres idosas, especialmente britânicas, em busca de relações com homens locais. Essa forma de exploração turística ganhou força com a popularização de pacotes de viagem baratos para a ex-colônia britânica, atraindo um fluxo constante de turistas da terceira idade ao país.
Apelidada informalmente de “capital mundial das sugar mamas”, Gâmbia se tornou destino frequente de mulheres europeias em busca de companhia e sexo com homens jovens gambianos, muitas vezes em troca de presentes, dinheiro ou promessas de ajuda financeira. A prática, embora não configurasse crime formal até então, é cada vez mais vista como uma forma de exploração, segundo organizações de direitos humanos e o próprio governo local.
O turismo é uma das principais fontes de renda da Gâmbia, e o país vinha, por anos, tolerando essa realidade. No entanto, autoridades agora consideram a prática prejudicial à imagem internacional do país e querem frear esse tipo de relação que, segundo o Ministério do Turismo, “explora vulnerabilidades econômicas” dos cidadãos gambianos.
Medidas em discussão
Entre as medidas em análise estão:
- Restrições à entrada de turistas desacompanhados que já tenham histórico anterior de viagens frequentes ao país.
- Fiscalização mais rigorosa em áreas turísticas, como as praias de Senegambia e Kololi.
- Campanhas de conscientização sobre o turismo ético e o combate à exploração sexual, voltadas tanto para visitantes quanto para a população local.
Organizações civis locais também pedem que o governo promova alternativas econômicas para os jovens gambianos, muitos dos quais veem no turismo sexual uma saída para a pobreza.
O outro lado do turismo sexual
A prática em Gâmbia espelha o turismo sexual que há décadas afeta países como Tailândia e República Dominicana, mas com um foco incomum: a inversão dos papéis de gênero. Em vez de homens europeus em busca de mulheres locais, são mulheres mais velhas que procuram relacionamentos afetivos ou sexuais com homens jovens africanos. A diferença de idade entre os parceiros pode ultrapassar 30 anos, e muitas vezes os encontros resultam em casamentos temporários ou envio de remessas para a África após o retorno das turistas aos seus países de origem.
Organismos internacionais de direitos humanos já vinham alertando que, embora com menor visibilidade, o turismo sexual envolvendo mulheres pode ser igualmente predatório e baseado em desigualdades de poder e renda.
Com as novas medidas, Gâmbia espera equilibrar a preservação de sua economia turística com a proteção de sua população — e sua reputação.
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