Um esquema milionário que usava farmácias de fachada para fraudar o programa Farmácia Popular e financiar o tráfico internacional de cocaína foi desarticulado pela Polícia Federal (PF). A organização criminosa operava em diversos estados brasileiros e movimentou R$ 39 milhões, segundo a investigação batizada de Operação Arthron.
Além de simular a venda de medicamentos subsidiados pelo governo, o grupo usava o dinheiro desviado para comprar cocaína da Bolívia e do Peru, abastecendo facções ligadas ao Comando Vermelho. Parte do lucro era lavado por meio de empresas fantasmas, com movimentações ocultas no nome de laranjas e familiares dos criminosos.
Farmácias, CNPJs e CPFs falsos alimentavam a quadrilha
O esquema funcionava com a compra de farmácias desativadas, já credenciadas no programa do governo federal, que eram reativadas com CNPJs em nome de terceiros. Em seguida, os criminosos usavam CPFs de pessoas comuns, sem que elas soubessem, para simular a compra de medicamentos.
As fraudes elevavam os repasses do governo para até R$ 90 mil mensais por loja, quando o valor habitual era em torno de R$ 5 mil. A diferença era desviada e parte desse montante retornava em espécie para financiar a compra de cocaína com o Clã Cisneros, organização criminosa peruana.
Números da fraude
De acordo com a PF e o Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC), os números do esquema impressionam:
| Indicador | Dados levantados |
|---|---|
| Farmácias de fachada | 28 CNPJs ativos com laranjas no quadro societário |
| Cadastros suspeitos no Farmácia Popular | 18.383 (4.430 com renda incompatível + 15 mil com patrimônio oculto) |
| Valor desviado e bloqueado | R$ 39 milhões |
| Mandados cumpridos | 106 (sendo 6 de prisão e 26 de busca e apreensão) |
Quem são os investigados
Três personagens centrais foram identificados como líderes do esquema:
| Nome / Apelido | Função no esquema | Situação |
|---|---|---|
| Fernando Batista da Silva (“Fernando Piolho”) | Chefe do grupo; usava nome da filha para ocultar empresas e transações | Em liberdade; defesa nega acusações |
| Clayton Soares da Silva | Dono de farmácias em PE e RS; envolvido na logística de transporte de drogas | Preso preventivamente |
| Caminhoneiro (não identificado) | Transportava 191 kg de cocaína de Rondônia para o Sudeste | Preso em flagrante |
Uma das empresas de fachada, a Construarte, recebeu mais de R$ 500 mil em depósitos de origem ilícita. Segundo a PF, Fernando mantinha ligação direta com o tráfico e usava estruturas empresariais para ocultar os valores.
Impacto no Farmácia Popular
O Farmácia Popular, criado para oferecer gratuitamente ou com desconto medicamentos essenciais a pessoas de baixa renda, sofreu prejuízo de R$ 800 mil em apenas uma farmácia investigada. Estima-se que o rombo total aos cofres públicos ultrapasse dezenas de milhões de reais, conforme novas auditorias avancem.
Governo promete reforçar controle e rastrear fraudes
O Ministério da Saúde anunciou que vai revisar os critérios de credenciamento de farmácias no programa. Uma das medidas é integrar o Farmácia Popular ao Sistema Financeiro de Rastreamento de Ativos (SIFRA), para bloquear automaticamente pagamentos suspeitos. A Receita Federal também foi acionada para cruzar dados fiscais das empresas envolvidas.
Como se proteger
A PF orienta a população a tomar precauções para evitar que seus dados sejam usados em fraudes:
- Verifique seu CPF em cadastros.gov.br ou no e-CAC da Receita;
- Solicite que seu médico use receituário eletrônico oficial;
- Denuncie suspeitas ao telefone 127 ou no site do Farmácia Popular.
“Desviar dinheiro destinado a medicamentos de quem mais precisa para financiar cocaína é um crime duplo contra a saúde pública.”
— Delegado Ulisses Gabriel, chefe da investigação
Próximos passos da investigação
As autoridades já analisam celulares e notebooks apreendidos e investigam a rota do dinheiro até traficantes internacionais. Também estão em andamento quebras de sigilo bancário e confrontos patrimoniais com dados declarados ao governo.
Os envolvidos podem ser indiciados por organização criminosa, tráfico de drogas, estelionato, peculato digital e lavagem de dinheiro — com penas que somam até 35 anos de prisão.
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