A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu nesta segunda-feira (23/6) o inquérito que apurava a morte de Daniela Antonini, de 42 anos, sua filha de um ano e sete meses, e sua mãe, Cristina Antonini, de 68 anos, encontradas sem vida em um apartamento no bairro Buritis, em 9 de maio. A investigação apontou que Daniela provocou intencionalmente as mortes por intoxicação com monóxido de carbono, usando bandejas com carvão acesas no quarto onde as três dormiam.
A conclusão do caso se deu após a análise de uma carta deixada por Daniela, considerada peça-chave pela delegada Iara França Camargos, responsável pelo inquérito. No bilhete, Daniela confessou que havia tomado a decisão de matar a si mesma e os dois familiares por desespero diante de uma profunda crise financeira e emocional.
“Foram dois anos de desespero. Acabou. Levo comigo os que dependem de mim e arcarei com as consequências espirituais”, escreveu Daniela.
A carta ainda revela que a mulher estava sem qualquer perspectiva de solução para suas dívidas:
“Tenho uma dívida gigante, aluguel incalculável. Nunca imaginei que passaria por essa situação. Tenho apenas R$ 0,07 em conta.”
Além das três vítimas, quatro cães que viviam no apartamento também foram encontrados mortos, em avançado estado de decomposição.
🧠 Investigação aponta planejamento
A delegada Iara Camargos afirmou que os elementos colhidos nas diligências indicam premeditação. O uso de carvão como método para produção de monóxido de carbono e o posicionamento das vítimas no mesmo quarto indicam que Daniela sabia das consequências de sua ação.
Não foram encontrados sinais de violência ou luta, e a causa das mortes foi confirmada como asfixia por monóxido de carbono, segundo laudos periciais.
⚠️ Alerta sobre saúde mental e pobreza extrema
O caso tem gerado forte comoção e levantou debates nas redes sociais e entre especialistas sobre os impactos do endividamento, da ausência de rede de apoio e do colapso da saúde mental em famílias brasileiras. O Brasil enfrenta um aumento no número de suicídios entre mulheres adultas e também entre mães em situações de vulnerabilidade.
Para psicólogos e sociólogos ouvidos por veículos da imprensa nacional, a tragédia escancara a necessidade urgente de políticas públicas voltadas ao atendimento psicológico gratuito, à assistência social e ao enfrentamento da pobreza extrema entre mulheres chefes de família.
📢 Ajuda está disponível
Se você ou alguém que você conhece está passando por dificuldades emocionais, procure ajuda. O CVV (Centro de Valorização da Vida) realiza atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br.