A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito sobre a morte de Alice Martins Alves, 32 anos, mulher trans espancada na madrugada de 23 de outubro, na Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Dois funcionários do Rei do Pastel foram indiciados por feminicídio qualificado por discriminação de gênero, mas seguem em liberdade.
Perseguição, agressões e insultos transfóbicos
De acordo com o inquérito, Alice havia consumido bebidas alcoólicas em uma unidade do bar e saiu após a meia-noite. A versão inicial da delegada Iara França apontava que ela teria deixado o local sem pagar uma conta de R$ 22 — algo que, segundo o bar, não gerava cobrança automática aos garçons. No entanto, testemunhas e áudios coletados pela investigação apontaram que os dois funcionários seguiram a vítima até a avenida Getúlio Vargas.
Imagens de segurança registraram a abordagem: Alice afirma que havia pago. Ainda assim, os homens iniciam as agressões. O áudio mostra insultos transfóbicos, ameaças e ao menos 12 pedidos de socorro. A violência persiste por mais de dez minutos até que um motoboy intervém, interrompendo o ataque.
Agressão motivada por uma gorjeta de R$ 2,20
Durante as apurações, um gerente do estabelecimento relatou que a gorjeta — cerca de R$ 2,20 — não é repassada ao garçom quando a conta não é paga, o que reforçou a tese de que o ataque teria sido motivado por esse valor irrisório. Ele também afirmou que, após a agressão, os funcionários retornaram ao trabalho “calmamente”.
Atendimentos e evolução clínica até a morte
- Após o ataque, Alice foi atendida primeiro pela UPA Centro-Sul e liberada.
- Em 2 de novembro, voltou a procurar atendimento, quando foram constatadas fraturas de costelas, cortes no nariz e desvio de septo.
- Em 8 de novembro, uma nova internação detectou perfuração do intestino.
- No dia 9, passou por cirurgia de emergência, mas morreu de infecção generalizada (sepse) causada pela perfuração provocada por fragmentos das costelas quebradas.
Ministério Público pediu prisão; Justiça recusou
Mesmo com a conclusão das investigações, os suspeitos não foram presos. A juíza Ana Carolina Rauen, do 1º Tribunal Sumariante do Tribunal do Júri, negou dois pedidos de prisão preventiva — um da Polícia Civil e outro do Ministério Público.
A magistrada alegou que:
- Ainda não há comprovação de que as agressões foram a causa direta da morte (embora laudos posteriores confirmem essa relação).
- A participação individual de cada suspeito permanece “nebulosa”, exigindo investigação mais detalhada.
Em recurso, o Ministério Público contestou os argumentos e destacou que laudos médicos comprovam que as fraturas provocadas pelas agressões resultaram na perfuração intestinal que levou à morte. O órgão também ressaltou:
- caráter hediondo, fútil e torpe do crime;
- violência covarde contra uma vítima embriagada;
- risco à ordem pública, já que um dos investigados possui histórico criminal;
- frieza dos autores, que retornaram ao trabalho após a agressão.
Até o momento, não houve nova decisão judicial.
Linha do tempo do caso Alice
- 22/10 – Alice sai de uma unidade do Rei do Pastel sem pagar a conta.
- 23/10 (madrugada) – É perseguida e espancada por dois funcionários; grita por socorro 12 vezes.
- 23/10 – Socorrida pelo Samu e encaminhada à UPA.
- 02/11 – Descobertas fraturas nas costelas.
- 08/11 – Diagnóstico de perfuração intestinal.
- 09/11 – Cirurgia de emergência; Alice morre por sepse.
- 13/11 – Polícia Civil pede prisão preventiva.
- 26/11 – Justiça nega.
- 04/12 – PCMG conclui inquérito e indicia os dois funcionários por feminicídio.
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