O Brasil registrou um marco alarmante na sua economia em julho de 2025: o número de empresas inadimplentes atingiu a marca histórica de 8 milhões. Segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas, divulgado nesta sexta-feira pela Serasa Experian, o cenário representa o sétimo mês consecutivo de alta e um crescimento de 16% em relação a julho do ano anterior.
A crise é mais sentida entre os pequenos e médios negócios, que representam a esmagadora maioria dos inadimplentes e somam uma quantia bilionária em dívidas atrasadas.
O retrato da crise na pequena e média empresa
Os números detalhados pelo levantamento mostram que a tempestade financeira se concentra nas pequenas e médias empresas (PMEs):
- Ataque ao coração do empreendedorismo: Das 8 milhões de empresas negativadas, 7,6 milhões são PMEs, o que corresponde a cerca de 95% do total.
- O peso das dívidas: O valor total das dívidas acumuladas chegou a R
193,4bilhões.
- Valor e frequência de atrasos em alta: O valor médio das dívidas por empresa também bateu recorde, atingindo R$ 3.302,30. Em média, cada CNPJ negativado tem 7,3 dívidas em atraso.
Serviços e Comércio lideram o ranking da inadimplência
A análise por setor revela que os negócios de Serviços, que empregam a maior parte da população, são os mais vulneráveis. A seguir, o ranking dos setores com maior número de empresas inadimplentes em julho:
- Serviços: Concentra 54,1% das empresas no vermelho, refletindo a dificuldade de um setor que se recupera lentamente no pós-pandemia e sente o impacto do consumo mais restrito.
- Comércio: Com 33,7% dos CNPJs inadimplentes, o setor sofre com a desaceleração do consumo, o crédito mais caro para os clientes e a dificuldade de manter o fluxo de caixa.
- Indústria: Embora com uma participação menor (8%), o setor também registra crescimento na inadimplência, evidenciando que a crise atinge diversos elos da cadeia econômica.
Juros altos e crédito restrito agravam o cenário
Economistas da Serasa Experian apontam as principais causas para o aprofundamento da crise, que se tornou um “paradoxo perigoso” para as finanças empresariais:
- Juros nas alturas: As taxas elevadas tornam o crédito mais caro e difícil de ser obtido. Sem capital de giro e com dívidas anteriores, as empresas buscam empréstimos para se manter, mas o alto custo agrava o endividamento.
- Crédito restritivo: Com o aumento da inadimplência, as instituições financeiras se tornam mais cautelosas na concessão de crédito, criando um ciclo vicioso em que as empresas que mais precisam de ajuda encontram as portas fechadas.
- Desaceleração econômica: As projeções de um ritmo mais lento na atividade econômica no segundo semestre podem pressionar ainda mais os ganhos e as margens de lucro dos pequenos negócios.
A economista Camila Abdelmalack, da Serasa, alerta para um possível agravamento do quadro: “Observamos que o segundo semestre pode ser ainda mais crítico para os negócios, com as projeções de desaceleração na atividade econômica exercendo uma pressão ainda maior nos ganhos e na margem de lucro, principalmente para aquelas de menor porte”. A situação, segundo especialistas, reforça a urgência de políticas públicas que facilitem a reestruturação de dívidas e melhorem o acesso ao crédito para os empreendedores mais fragilizados.
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