Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à CPMI do INSS, aponta que o escritório de advocacia de Eric Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis, recebeu R$ 5,1 milhões de entidades investigadas por fraudes contra aposentados e pensionistas. O valor corresponde a 76% da receita do escritório entre novembro de 2023 e julho de 2025, segundo revelou o jornal O Estado de S. Paulo.
A empresa de advocacia foi aberta em junho de 2022, quando Eric tinha 30 anos, e já acumulava movimentações financeiras expressivas em pouco tempo de existência. O relatório do Coaf destaca que, nesse período, o escritório recebeu R$ 6,6 milhões, com despesas de R$ 5,3 milhões.
Ligações com “Careca do INSS”
Segundo a Polícia Federal, o escritório teria servido para intermediar repasses do operador Antônio Carlos Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, acusado de comandar parte do esquema de propinas. Em depoimento à CPMI, Antunes confirmou que contratou empresas ligadas a parentes de gestores do órgão, mas afirmou que as operações eram “legítimas”.
“Ele (Eric) chegou até a mim, no escritório, apresentando um material de educação financeira, e eu já sabia que ele era filho do André Fidelis”, disse Antunes.
Movimentações pessoais atípicas
Além do fluxo pelo escritório, Eric Fidelis movimentou R$ 10,4 milhões em sua conta pessoal entre fevereiro de 2023 e março de 2024. O Coaf concluiu que a movimentação era incompatível com sua renda formal de cerca de R$ 13 mil mensais, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro.
Nem Eric nem André Fidelis responderam aos questionamentos do Estadão.
Procurador afastado tentou comprar carro de luxo
Outro nome citado nas investigações é o do ex-procurador-chefe do INSS Virgílio de Oliveira Filho, afastado pela Justiça durante a deflagração da Operação Sem Desconto, em abril de 2025. Segundo o Coaf, um mês após o afastamento, ele tentou reservar a compra de um Audi A5 Sedan Performance S Edition, avaliado em R$ 380 mil.
O relatório não especifica se a transação foi concluída. Virgílio não se manifestou.
Advogada e agente da PF na mira
O relatório também inclui movimentações financeiras suspeitas de outros envolvidos:
- Cecília Rodrigues Mota, advogada que presidiu associações de aposentados e pensionistas, teria movimentado R$ 10 milhões em um ano, incluindo R$ 2,5 milhões em apenas dois meses. Ela também realizou 33 viagens em dez meses. A PF afirma que ela teve papel “central na teia financeira” do esquema.
- Philipe Roters Coutinho, agente da Polícia Federal afastado, movimentou R$ 2,8 milhões em um ano, valor considerado incompatível com sua renda de R$ 13 mil. Ele foi alvo de buscas em abril, quando foram apreendidos US$ 200 mil em espécie em sua posse. Sua defesa nega envolvimento com as fraudes.
O esquema
A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, apura um suposto esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões para associações, sindicatos e entidades de fachada, com participação de servidores do INSS e operadores privados.
A CPMI do INSS segue colhendo depoimentos e deve ampliar as quebras de sigilos bancário e fiscal de suspeitos nas próximas semanas.
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