O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (10/10) que irá impor tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro, em uma nova fase da guerra comercial entre os dois países. Segundo o republicano, a medida poderá ser antecipada “dependendo de quaisquer ações ou mudanças adicionais tomadas” pela China.
Além disso, Trump afirmou que os EUA vão impor controles de exportação sobre todo e qualquer software crítico, em retaliação ao que considera restrições chinesas sobre a exportação de elementos ligados às terras raras, essenciais para a indústria de tecnologia mundial.
O republicano também declarou que não vê mais motivo para se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), marcada para o fim do mês na Coreia do Sul, e acusou Pequim de enviar cartas a diversos países anunciando planos de restringir exportações de matérias-primas estratégicas.
Impacto nos mercados
As declarações de Trump provocaram reação imediata nos mercados globais. No Brasil:
- Dólar: disparou 2,38%, fechando a R$ 5,5031, maior valor desde 5 de agosto.
- Ibovespa: recuou 0,73%, aos 140.680 pontos.
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street registraram queda acentuada, refletindo o clima de incerteza econômica.
Contexto global e econômico
A escalada vem após a China ter incluído novos elementos na lista de controle de exportações e aumentado a vigilância sobre usuários de semicondutores. O país concentra mais de 90% da produção mundial de terras raras processadas e ímãs de terras raras, usados em tecnologias de ponta, como chips para celulares, computadores e equipamentos eletrônicos.
Especialistas alertam que a medida pode reativar uma guerra comercial de retaliações mútuas, afetando o comércio internacional, cadeias produtivas e preços globais de commodities estratégicas.
No Brasil, além do impacto do embate comercial, o mercado também lida com pressões internas: o IPP de agosto registrou queda de 0,20%, e em 12 meses acumulou alta de 0,48%, indicando tendências de custo na indústria que podem antecipar a inflação ao consumidor.
O governo brasileiro, enquanto isso, segue atento à situação, especialmente diante da volatilidade do câmbio e dos reflexos sobre importações e exportações estratégicas.
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