A Eletrobras anunciou nesta quarta-feira (15) a venda de toda a participação que detinha na Eletronuclear para a Âmbar Energia, empresa do Grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A transação marca mais um passo na reestruturação da companhia desde sua privatização, em 2022.
Segundo fato relevante divulgado ao mercado, a operação foi fechada por R$ 535 milhões. Além disso, a Âmbar se comprometeu a assumir garantias financeiras prestadas pela Eletrobras à Eletronuclear e a integralizar debêntures no valor de R$ 2,4 bilhões junto à União.
Com a compra, a Âmbar Energia passará a deter 68% do capital total e 35,3% do capital votante da Eletronuclear. O negócio ainda depende de aprovação pelos órgãos reguladores, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
Governo segue como controlador das usinas
Apesar da transação, o governo federal permanecerá no controle da Eletronuclear por meio da estatal ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional), que mantém 64,7% das ações com direito a voto e 32% do capital total.
A Eletronuclear é responsável pela operação do Complexo Nuclear de Angra dos Reis (RJ), que inclui as usinas Angra 1, Angra 2 e o projeto Angra 3 — este último com obras paralisadas há cerca de 40 anos.
- Angra 1: 640 megawatts (MW)
- Angra 2: 1.350 MW
- Angra 3 (em construção): 1.405 MW
Juntas, as três unidades somam 3.400 MW de potência instalada, energia suficiente para abastecer cerca de 10 milhões de brasileiros.
O interesse da Âmbar Energia
A Âmbar Energia é um braço do conglomerado J&F, que também controla empresas como JBS, PicPay e Eldorado Brasil. A companhia já opera 39 usinas no país, em diferentes modalidades — de hidrelétricas e solar a biogás, biomassa, biodiesel e gás natural.
Em comunicado, o presidente da Âmbar, Marcelo Zanatta, afirmou que a aquisição reforça a estratégia de diversificação e sustentabilidade do grupo.
“A energia nuclear combina estabilidade, previsibilidade e baixas emissões — características fundamentais em um momento de descarbonização e de crescente demanda por eletricidade impulsionada pela inteligência artificial e pela digitalização da economia”, disse Zanatta.
A Eletronuclear registrou em 2024 receita líquida de R$ 4,7 bilhões e lucro líquido de R$ 545 milhões, números que reforçam o potencial de rentabilidade do investimento.
Reestruturação da Eletrobras
A Eletrobras, maior geradora de energia elétrica do Brasil — responsável por 22% da capacidade instalada nacional —, foi privatizada em junho de 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desde então, a companhia vem reduzindo participações em ativos não estratégicos e simplificando sua estrutura societária. A venda da fatia na Eletronuclear, assessorada pelo BTG Pactual, faz parte desse movimento.
De acordo com o balanço do 2º trimestre de 2025, o investimento da Eletrobras na operadora nuclear somava R$ 7,8 bilhões.
“A transação representa um marco importante e reforça o compromisso da Eletrobras com seus acionistas e com o mercado, de otimização de portfólio, alocação eficiente de capital e foco na geração de valor”, informou a empresa em nota oficial.
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