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Promessa não cumprida: a fila do Instituto Nacional do Seguro Social cresce 114% e expõe gargalo previdenciário

Quase três anos após afirmar que zeraria os pendentes de concessão de benefícios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê o estoque dobrar, enquanto o programa de bonificação a servidores encontra entraves orçamentários.




Quando ainda era candidato, Lula prometeu: “É possível fazer”, referindo-se a eliminar as longas filas de espera no INSS. No discurso de posse, em 1º de janeiro de 2023, ele reafirmou que acabaria com a “vergonhosa fila do INSS”, narrando seu desempenho no passado, quando, disse, teria reduzido o tempo de concessão de benefícios de um ano para apenas cinco dias.

Hoje — quase três anos depois — os dados indicam que a promessa não foi cumprida. O estoque de pedidos de aposentadorias, pensões e auxílios em análise saltou de cerca de 1,23 milhão em 2023 para 2,63 milhões em agosto de 2025, um crescimento de 114%. O pico foi registrado em março de 2025, com aproximadamente 2,7 milhões de requerimentos pendentes.
Este quadro revela não apenas a gravidade da demora, mas também a falha na implementação de políticas de redução do atraso.

Um dos instrumentos para reverter o quadro foi o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), criado por meio da Medida Provisória MP 1.296/2025 em abril. O programa foi sancionado como lei em setembro (Lei 15.201) e previa pagamento de bônus aos servidores do INSS que atingissem metas de produtividade: R$ 68 por processo concluído para servidores do instituto e R$ 75 para peritos médicos.
O foco do PGB é claro: priorizar processos com mais de 45 dias de atraso ou com prazo judicial vencido; também incluídos estão os serviços médicos-periciais em unidades onde o atendimento está comprometido.

Apesar disso, o PGB enfrenta limitações: a iniciativa tem vigência de apenas 12 meses, prorrogável uma única vez até 31 de dezembro de 2026. Além disso, em outubro registrou-se suspensão de verbas — o que compromete a capacidade de execução do programa.

Embora haja algumas notícias de melhora — a fila caiu cerca de 9,8% de março a junho de 2025 — ainda há um longo caminho. Dados mostram que no estado do Pará, por exemplo, mais de 43 mil pessoas aguardavam perícia da INSS, com espera média de 76 dias.
A situação evidencia que, embora a promessa tenha sido alta, a realidade burocrática, orçamentária e operacional segue travada. Em suma: o objetivo de zerar a fila está longe de se realizar.


Contexto adicional e implicações
A ampliação da fila não é apenas um quadro estatístico: significa milhares de segurados aguardando decisões sobre aposentadoria, pensão ou auxílio-doença, com impactos financeiros e de planejamento de vida. A demora impede que pessoas planejem sua aposentadoria ou cobertura social, além de gerar acúmulo de juros, correção monetária ou necessidade de atuação judicial.

Do ponto de vista político, o descumprimento da promessa abre espaço para críticas à gestão do governo federal e ao próprio INSS. Para o usuário que depende dessa rede, surge incerteza: não basta anunciar metas, é preciso ter estrutura, recursos e agilidade.

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