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Avanço econômico da China, com práticas questionáveis, provoca desequilíbrio global e ameaça indústrias em vários países

No epicentro de uma guerra comercial que opõe principalmente China e Estados Unidos, o avanço econômico chinês tem provocado fissuras profundas em setores produtivos ao redor do mundo. Amparado por subsídios estatais, crédito barato e controle cambial, o país asiático segue uma política agressiva de expansão industrial que promete levar seu PIB a US$ 24 trilhões até 2030, podendo superar a economia norte-americana.

Mas o crescimento vertiginoso de Pequim cobra seu preço. Segundo relatório recente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), um terço das 81 medidas antidumping aplicadas no mundo em 2024 teve como alvo produtos chineses, especialmente do setor do aço. A entidade estima que os subsídios oferecidos pelo governo chinês são, em média, dez vezes maiores que os concedidos nos países da OCDE — o que gera distorções severas na concorrência internacional.

Brasil sente impacto direto

No Brasil, os efeitos são claros. O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, denunciou recentemente que a importação de aço chinês a preços predatórios levou à redução de investimentos e à demissão de mais de mil trabalhadores. “Não faz sentido continuar investindo aqui sem proteção adequada do mercado”, criticou o executivo.

O presidente do Sindicato da Indústria do Ferro de Minas Gerais (Sindifer), Fausto Varela, alertou que o país asiático saltou de 65 milhões de toneladas de aço por ano há 25 anos para 1 bilhão em 2022, o que pressiona o mercado mundial. “Queremos apenas uma disputa em igualdade de condições”, afirmou.

Para o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, o problema não é isolado e afeta várias cadeias produtivas — do setor automotivo ao têxtil. “Enquanto a China concentra a indústria global, o Brasil pratica políticas que destroem a sua própria indústria”, disse. No primeiro semestre de 2025, as importações brasileiras da China ultrapassaram US$ 30 bilhões, um aumento de cerca de 30% em relação a 2024.

Efeitos no comércio e no consumo

O presidente da Fecomércio-MG, Nadim Donato, chama atenção para o impacto no varejo, especialmente com a entrada de produtos sem nota fiscal e isentos de impostos, vendidos por plataformas como Shein e Shopee. “Essas práticas desleais fazem empresas sérias fecharem as portas e geram desemprego”, alertou.

A empresária Janaíne Maia, dona da marca Doce Veneno, em Divinópolis, diz que a única saída é apostar em qualidade e atendimento personalizado. “O cliente percebe a diferença quando vê e toca o produto. Mas a carga tributária é o que mais nos penaliza”, lamenta.

Calçadistas e têxteis perdem fôlego

De acordo com o presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira, a guerra comercial entre EUA e China redirecionou uma enxurrada de produtos chineses para outros países — entre eles, o Brasil. Em setembro, as importações de calçados chineses cresceram 60% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

“O impacto é muito grave. Estamos vendo empregos desaparecerem e fábricas reduzindo turnos”, afirmou Ferreira. Em 2024, o setor havia criado 2.500 vagas em agosto; neste ano, foram apenas 40.

Concorrência desigual e futuro incerto

O economista Renan Silva, do Ibmec Brasília, destaca que o controle cambial e a manipulação da taxa de juros são ferramentas usadas por Pequim para sustentar sua expansão. “É uma competição desleal. A China joga com regras próprias em um mercado global que deveria prezar pela transparência”, pontuou.

O cenário indica que a guerra comercial está longe de terminar — e que a pressão sobre indústrias ocidentais e emergentes deve aumentar. O dilema se impõe: como competir com um gigante que joga fora das regras, mas dentro da economia global?

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