O luxo deu lugar à fraude em um dos endereços mais sofisticados da capital mineira. Uma operação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) expôs um esquema de venda de produtos falsificados dentro do BH Shopping, na região Centro-Sul da cidade — um golpe que desmascara a expansão da pirataria para ambientes antes considerados intocáveis.
A loja Divino Luxo, instalada há anos no centro comercial, vendia roupas e calçados falsificados com aparência de grifes internacionais, enganando consumidores e danificando a credibilidade do comércio de alto padrão. A investigação, batizada de “Do Luxo ao Lixo”, culminou na interdição da loja em 16 de julho deste ano.
Fraude milionária
Entre os produtos apreendidos estava um tênis Nike Air Jordan, modelo icônico entre colecionadores, vendido por R$ 50 mil — valor 250 vezes superior ao custo estimado da falsificação, de cerca de R$ 200.
“Também havia camisas da Louis Vuitton sendo vendidas a R$ 9.500. Representantes das marcas confirmaram que as cópias custavam menos de R$ 300 para serem fabricadas”, explicou o delegado Magno Machado Nogueira, chefe da Divisão Especializada de Combate à Corrupção (Deccor).
A loja, que operava sem cadastro comercial regular, responde a processo criminal.
Consumidor de boa-fé
O empresário Flávio Queiroz foi uma das vítimas do golpe. “Comprei duas camisas achando que eram Giorgio Armani. Um amigo que entende de roupas importadas me disse que eram falsificadas. Paguei R$ 1.400. Fiquei arrasado”, relatou.
Segundo o delegado, o caso da Divino Luxo é apenas a face mais visível de um mercado ilegal que movimenta bilhões. “Hoje falsifica-se de tudo: roupas, calçados, bebidas, cigarros, medicamentos, cosméticos, até sabão em pó. É um cenário aterrorizador”, afirmou Nogueira.
Impacto na economia
O Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual (Sindifisco-MG) estima que Minas Gerais perde 25% de sua arrecadação tributária por causa da sonegação ligada ao comércio ilegal e à pirataria.
“É um ciclo de perdas: o consumidor compra gato por lebre, as marcas perdem credibilidade e o Estado deixa de arrecadar”, destacou o delegado.
Cigarros e prejuízos públicos
No mercado de cigarros, o impacto é expressivo. Em 2024, Minas Gerais deixou de arrecadar cerca de R$ 117 milhões em ICMS devido ao contrabando e falsificação do produto, segundo o Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP).
O valor seria suficiente para construir 19 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), como a UPA Industrial, em Contagem, que custou R$ 6 milhões e atende 7.500 pessoas por mês.
De acordo com o presidente do FNCP, Edson Vismona, “o crime da pirataria engana o consumidor, frauda o Estado e financia o crime organizado. Só percebem a gravidade quando começa a matar”, disse, em referência às intoxicações recentes por produtos adulterados.
Resposta do shopping
Procurado, o BH Shopping afirmou que colaborou integralmente com as investigações e mantém políticas rigorosas para locação de espaços, com cláusulas que exigem o cumprimento da legislação e da autenticidade das marcas.
:::NOSSO GRUPO NO WHATS APP :::
Acidente Assassinato Belo Horizonte Betim BR-040 BR-116 BR-251 BR-262 BR-365 BR-381 Contagem Corpo de Bombeiros Crime Cruzeiro Divinópolis Governador Valadares Grande BH Ibirité Ipatinga Itabira João Monlevade Juiz de Fora Lula Minas Gerais Montes Claros Nova Lima Patos de Minas Polícia Civil Polícia Federal Polícia Militar Polícia Militar Rodoviária Polícia Rodoviária Federal Previsão do Tempo Ribeirão das Neves Sabará Samu Santa Luzia Sete Lagoas Triângulo Mineiro Tráfico Uberaba Uberlândia Vale do Rio Doce Vespasiano Zona da Mata mineira





